Estudantes cobram imediato retorno às aulas com paródias e protestos em redes sociais

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A greve de parte dos professores da rede estadual de Educação pode destruir o sonho de muitos estudantes acreanos. Aproximadamente 10.698 alunos do 3° ano do Ensino Médio que pretendem fazem o Enem (Exame Nacional de Ensino Médio), deste ano, poderão ser penalizados, com a continuidade da paralisação em escolas.

Estudantes estão denunciando em redes sociais o descaso dos professores, que são alvo de comentários que vão da revolta ao sarcasmo. Paródias de músicas de sucesso viraram moda, exigindo a volta às aulas. Um grupo de estudantes criou um movimento denunciando que a greve chegou ao limite da irresponsabilidade. Alunos inscritos no ENEM, além de terem sua preparação prejudicada, ainda correm o risco de perder o ano e, mesmo que se sejam aprovados, não conseguirem inscrição em universidades, por falta do diploma de conclusão do ensino médio. O movimento completou 40 dias, sem disposição de qualquer negociação por parte dos grevistas e diante do impasse, o secretário estadual de Educação, Marco Brandão comunicou em entrevista coletiva que os professores que não retornarem para o local de trabalho terão o ponto cortado, retroativo ao início da greve.

A medida, segundo ele, encontra amparo jurisdicional que desobriga o governo do Estado que teve o ano letivo atrasado, por conta da cheia deste ano, além da crise econômica, pagar em dias quem não estiver trabalhando.  Desde o dia 17 de junho, que os professores e funcionários de escola decidiram cruzar os braços por tempo indeterminado.   “Em nenhum momento nos furtamos ao diálogo com transparência e respeito. Continuamos abertos a isso”, declarou o secretário.

Apesar do movimento abranger cerca de 7% das escolas do capital, esse montante pode ser responsável por comprometer o cronograma do ano letivo de (800 horas aula) de toda a rede escolar.

A categoria alega que não teve reajustes recentes, mas Marco Brandão explicou que a concessão do reajuste salarial de 20% pago em 2011/ 2012, teve um impacto na folha de pagamento em torno de R$ 65.787.087,41. Além disso, a progressão excepcional atingiu todos os servidores em janeiro de 2014 e correspondeu a um reajuste real de 10% de aumento, que consumiu cerca de R$ 30 milhões.

O governo ainda pagou, segundo a secretaria de Educação, a diferença salarial referente às progressões 2008-2011 e 2014, um desembolso de mais de R$ 35.699.426,93. Houve, ainda, o enquadramento dos aposentados, acordo de férias de 45 dias e pagamento de VDP estendido para servidores de apoio e administrativos, na ordem de mais de R$ 30 milhões, que completam os benefícios a serem pagos em 2016. Tudo isso gera custo na folha de aproximadamente R$ 207 milhões em 2015.