‘Famosos’ não conseguiram emplacar no pleito eleitoral

Cezar Negreiros

Consagrados jornalistas, digital influencer e bem sucedidos empresários não conseguiram emplacar os seus nomes para as prefeituras acreanas e na Câmara Municipal de Rio Branco. A jornalista Rosy Lima (PSDB) teve apenas 139 votos, o apresentador de televisão Rogério Wenceslau (PSL) 266 votos, o jornalista /advogado Lázaro Barbosa (PSB) 414, o colunista político Evandro Cordeiro (Progressistas) 796 votos. Em contrapartida, o repórter cinematográfico R7 obteve apenas 57 votos para a prefeitura de Tarauacá, enquanto a digital influencer Doutora Joana D’Arc conquistou 94 votos na disputa da prefeitura de Plácido de Castro. A empresária Denise Borges (PL) nenhum voto, o empresário /cantor Heloy de Castro (Podemos) 84 votos, Júlio Caçambeiro (PSB) 184 votos, Bruna Delino (PSB) 771 votos, Júnior Paris Dakar (PSL) 846 votos e Pang Rocha (PSDB) 855 votos.

“Ninguém está entendendo minha votação, mas no fundo a gente sabe que os caciques do partido fizeram as suas escolhas”, desabafou Evandro Cordeiro. Destaca que o partido priorizou aqueles que a cidade toda sabe, mesmo com toda sabotagem, mas que estar feliz, porque fez uma campanha sem recursos, limpa e honesta.

Como a manobra, induziram os seus eleitores votar primeiro no candidato progressista Tião Bocalom, pois até o seu santinho foi impresso invertido, o eleitor votava apenas na legenda e confirmava o segundo voto no majoritário. “Dezenas de pessoas estão dizendo que votaram primeiro no prefeito, o segundo voto no meu número, mas aparecia apenas a legenda do partido”, lamentou.

O advogado/jornalista Lázaro Barbosa disse que teve a oportunidade de conhecer a política por dentro e que aprendeu como lidar com parte do eleitorado riobranquense. Fez questão de citar o exemplo, mil eleitores vota em você por gratidão ou pelas suas propostas, o restante tem de pagar de uma forma ou outra. Contou que durante a campanha aprendeu que o Fundo Partidário é como orelha de freira, poucos conseguem ver. O lado bom da disputa, que conheceu pessoas maravilhosas, pois andou a cidade de ponta a ponta. Durante as suas andanças, passou o constrangimento de ser abordado por bandidos num bairro periférico que o obrigaram mandaram dirigir pela comunidade com o vidro do seu carro aberto.

Observou que o péssimo desempenho daqueles que detinham mandatos e falta de dinheiro, para conseguir o restante dos votos, completar o que faltar dos votos conscientes. “Já sou pré-candidato a deputado estadual em 2022”, revelou.

Cidadania – A Doutora Joana D’Arc relatou que a cidade de Plácido de Castro e distrito da Vila Campinas clamavam por alternância de poder, mas observou que os grupos políticos se agruparam em coligações. Disse que foi a única candidata ficha limpa e mulher que lutou para humanizar os gestores autoritários e contribuir para o exercício da cidadania, pois buscou fazer esta interlocução direta com os eleitores e a soberania de escolha pelo sufrágio do voto.

A lição que traz das eleições municipais de Plácido de Castro é que todas as ações do pacto federativo têm que chegar verticalizado aos municípios acreanos. Revelou que o Estado é muito ausente nos municípios, os secretários estaduais devem deixar o conforto dos seus gabinetes para percorrer os 22 municípios e cumprir o seu papel institucional, porque apenas o governador Gladson Cameli tem percorrido o interior para dialogar com a população acreana. Destacou que após a apuração das urnas, os escolhidos pela população placidiana foram os professores Camilo e Enilton Pena.

Admitiu que em pleitos futuros pode ser uma consequência natural do seu trabalho de ativismos políticos retornar a cena política. “Busquei contribuir com o meu trabalho para humanizar os subterrâneos da política acrea-na”, finalizou a candidata derrotada pelo conservadorismo da sociedade do Vale do Abunã.