Fraude no DEPASA pode ter causado falta de água na capital.  MP abre inquérito e veículos são apreendidos

A situação do ex-dirigente do DEPASA, Tião Fonseca e de sua esposa, Delba Nunes Bucar, está se agravando. O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por intermédio da promotora Myrna Mendoza, da 1ª Promotoria Especializada de Defesa do Patrimônio Público e Fiscalização das Fundações e Entidades de Interesse Social, converteu em inquérito as ações para apurar denúncias sobre desvio de recursos públicos no Departamento.

Paralelo a isso, a Polícia Civil executou buscas nas residências de Tião Fonseca, que está preso e transferido para uma delegacia na Sobral e Edson Siqueira, irmão do deputado Márcio Bittar e ex-diretor financeiro do DEPASA. Nessas residências, apreendeu dois carros de alto padrão, um Ford Fusion de uso de Fonseca e uma SW4 de uso de Siqueira. Os dois caros não estariam em nome dos dois na documentação, mas eram comprovadamente usados por eles. Eles poderão servir como parte do ressarcimento da quantia desviada em pagamentos irregulares, se isso for decidido ao fim do processo.

A esposa de Tião Fonseca, que se encontra em Brasília, entrou com pedido de prisão domiciliar, com sua defesa alegando que ela faz tratamento de câncer no Distrito Federal.

Segundo a promotora de Justiça Myrna Mendoza, o inquérito instaurado tem o objetivo de aprofundar as investigações, que têm como objeto um contrato firmado entre o Depasa e a empresa Engenharia e Metrologia- Eireli, que tem como sócia Delba Nunes Bucar.

O pagamento irregular e os desvios de recursos públicos alcançaram o montante de R$ 561 mil.

A promotora afirmou que a ação de Fonseca pode ter sido responsável pelos problemas de abastecimento de água na capital. Ela explicou que o pagamento à esposa teria sido feito em detrimento do pagamento a fornecedores de contratos vigentes, especialmente, de produtos químicos utilizados nas Estações de Tratamento de Água. “Com isso, ocorreu não só a interrupção de serviço, mediante desabastecimento de água, como, consequente, transtorno à sociedade acreana”, diz. Uma auditoria da Controladoria Geral do Estado do Acre revelou as irregularidades.