Governo apresenta Plano de Contingência Contra Queimadas

Representantes dos órgãos que compõem a Comissão Estadual de Gestão de Riscos Ambientais (CEGdRA) apresentaram nesta terça-feira, 25, durante entrevista coletiva realizada na sede do comando-geral do Corpo de Bombeiros do Acre (CBMAC), o Plano de Contingência Contra Queimadas Urbanas e Rurais.

A cooperação entre as instituições que integram a força-tarefa define as atribuições de cada órgão, a fim de dar as devidas respostas quanto ao combate a essas práticas que causam danos à saúde e ao meio ambiente.

“Se a sociedade não entender que queimar causa esse prejuízo e um dano enorme nós vamos desencadear um difícil processo nesse período de estiagem. Há um risco eminente de fogo, previsto pelos órgãos de controle, e nós já colocamos em prática ações preventivas e repressivas”, disse o coronel Roney Cunha, comandante-geral do CBMAC.

Cooperação

A CEGdRA é composta pela Secretaria de Meio Ambiente do Acre (Sema), Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC), Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), Corpo de Bombeiros (CBMAC), Batalhão Ambiental da Polícia Militar (BPA), Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), Secretaria de Meio Ambiente de Rio Branco (Semeia) e Departamento Estadual de Pavimentação e Saneamento (Depasa).

A partir de agora as ações seguirão o cronograma montado em um planejamento prévio. Fiscais do Imac e Semeia, com apoio dos homens do Corpo de Bombeiros e Polícia Militar vão intensificar a visitas às áreas com concentração maior de focos de calor.

O Depasa já está pronto para, caso necessário, acionar seu plano emergencial de captação e distribuição de água potável. Na manhã desta terça-feira o nível do Rio Acre era de 1,91m.

“O plano está pronto e desde o ano passado o Depasa está adotando as medidas de investimento. Para 2017 nós já estamos com a capacidade instalada e estamos apostando que até no mês de setembro, período mais crítico, consigamos captar o volume de água necessário para a bastecer a capital normalmente”, disse Miguel Feliz, superintendente do Depasa Rio Branco.

Monitoramento via satélite

Segundo os dados de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de janeiro até agora 294 focos de calor foram registrados no Acre. Desde o início do ano o CBMAC já atendeu 600 ocorrências geradas pelo Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp).

Ainda assim o Acre segue na 2ª posição entre os estados com menor índice de queimadas na Amazônia Legal. O IMC continua mapeando áreas com maior risco de fogo, pois o plano de contingência tem a finalidade de controlar, combater e minimizar os transtornos causados pelas queimadas ambientais.

De acordo com o satélite Aqua MT-Inpe, de 1° de janeiro a 24 de julho de 2017, foram registrados 19.145 focos de calor na região amazônica. Deste total, 36,8% no Mato Grosso (7.038), 20,3% no Tocantins (3.928) e 18,1% no Pará (3.457).

O mês de julho é caracterizado pela alta incidência de queimadas e incêndios florestais. De 1° a 25 deste mês, o Aqua MT-Inpe registrou 245 focos de calor. Cruzeiro do Sul, Feijó e Tarauacá e Brasileia lideram o ranking.

“Os idosos e crianças têm sofrido muito as consequências dessas queimadas, muita gente já deu entrada nas unidades de saúde. O apelo que nós fazemos é de que cada um faça sua parte e não utilize o fogo nesse período”, lembrou o secretário de Meio Ambiente do Acre, Edegard de Deus.

Apoio da população

A orientação é de que a população evite o uso do fogo, sob pena de provocar incêndios descontrolados. Os municípios têm papel estratégico na divulgação dessas informações.

“É essencial que as coordenações municipais de Defesa Civil utilizem seus mecanismos de fiscalização. O objetivo maior é buscar soluções para que possamos ter um período de estiagem dentro do controle e normalidade”, disse Roney Cunha, comandante-geral do CBMAC.

O boletim divulgado pela divisão de meteorologia do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) aponta níveis baixos de umidade relativa do ar. Esta semana esses níveis chegaram a 25%, quando o mínimo recomendado é de 30%.