Governo interino vai superestimar rombo nos cofres, diz Dilma

Em um discurso recheado de críticas ao governo Temer, a presidente afastada Dilma Rousseff disse nesta sexta (20) que a gestão interina vai “superestimar o rombo” nos cofres públicos para “cortar o que puder”.

MATÉRIA 3 - Dilma Rousseff decide ir hoje ao Congresso - Foto Divulgação

Dilma falou durante quase uma hora a uma plateia de blogueiros e militantes favoráveis ao governo do PT em Belo Horizonte. Depois de criticar o presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ela disse que o deputado trabalhou para inviabilizar a sua gestão.

“A política do ‘quanto pior,melhor’ consiste em instabilizar politicamente um governo para permitir que a economia não ande e criar ambiente propício ao golpe”, afirmou Dilma. “Agora, vão começar a dizer que tem um imenso rombo no governo para cortar o que puder. Vão superestimar o rombo”.

Segundo Dilma, ela já havia alertado ao Congresso em fevereiro que precisava aprovar medidas de ajuste fiscal, mas “fizeram todo um escarcéu”. Afirmou também que desde o início do ano a Câmara está paralisada.

A presidente afastada ainda disse que Cunha atua “não ocultamente, mas às claras” no governo Michel Temer. Uma nova projeção para o rombo nas contas do governo, de R$ 170 bilhões, foi anunciada nesta sexta-feira pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento.

O projeto enviado pela equipe econômica do governo Dilma Rousseff há dois meses previa um deficit de R$ 96,7 bilhões em 2016. Inicialmente, o governo trabalhava com superavit de R$ 24 bilhões.

‘DE ASSUSTAR’

No discurso, Dilma ainda disse que as medidas anunciadas até agora pela equipe de Temer são “de assustar” e que “esta é a face mais triste do governo”.Mais uma vez, ela criticou o fim do Ministério da Cultura, de possíveis mudanças no SUS e no Bolsa Familia e a equipe ministerial, que chamou de “homens velhos, ricos e brancos”.

Também reclamou das mudanças no Itamaraty, mais distante das gestões de esquerda da América Latina. Rindo e fazendo brincadeiras com a plateia, Dilma disse que chamar o governo Temer de provisório “é importantíssimo”.

Dilma chegou ao hotel onde o evento acontece durante uma manifestação a favor de seu governo. Antes de entrar, desceu do carro, pegou nas mãos de manifestantes e agradeceu. Foi o primeiro ato público depois de seu afastamento.

Ela estava acompanhada do ex-ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário). O governador de Minas, Fernando Pimentel (PT) não foi ao evento.