Homicídios crescem no Acre e em todo país

O número de assassinatos no país, em queda desde 2018, voltou a crescer no primeiro semestre deste ano, em plena pandemia, quando 25.712 pessoas foram mortas no Brasil, o equivalente uma pessoa a cada 10 minutos. Esse total é 7% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando 24.012 pessoas foram assassinadas no país. No Acre também houve aumento do número de mortes. Foram 160 mortes de janeiro a junho de 2020, contra 149 no mesmo período de 2019.

Estes números foram inflados pela de facções ocorrida nos primeiros messes do ano, que espalhou medo e morte nos bairros periféricos. O crescimento foi de 7% nos homicídios, bem perto da média nacional.

O Acre teve diminuição do número de latrocínios e ainda é o estado com recorde proporcional de feminicídios, que passaram de 15 para 19, aumento de 26,7%.

Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que compila estatísticas de criminalidade no país. O 14º anuário da instituição mostra também que o número de mortos em 2019 foi o menor em nove anos e o menor da década quando se analisa proporcionalmente à população.

No Acre, as mortes por ação da polícia também tiveram forte aumento. Passaram de 12 para 16, aumento de 33,3

Em todo o ano passado, 47.773 pessoas foram assassinadas no Brasil, número ainda menor do que no ano anterior, que interrompeu uma escalada de crescimento que havia tido recorde em 2017 com 64.078 assassinatos.

O índice por 100 mil habitantes do ano passado, usado para comparar a violência em diferentes regiões, foi de 22,7 assassinatos a cada 100 mil moradores em 2019, abaixo dos 30,9 registrados em 2017.

O Brasil se manteve entre os países mais violentos do mundo, com taxas bem acima das de países como Estados Unidos (5) ou Argentina (5).

A média nacional, porém, esconde desigualdades regionais. Os estados mais violentos estão no Norte e Nordeste —com exceção do Rio—, onde organizações criminosas disputam mercados e rotas de tráfico de drogas.

A taxa de homicídios mais alta é a do Amapá, com 49,7 casos por 100 mil habitantes (contra 58,3 no ano anterior). Roraima, estado recordista de homicídios proporcionalmente à sua população em 2018, conseguiu baixar a taxa de 66,6 casos por 100 mil naquele ano para 35 em 2019.

Redução maior que essa teve apenas o Ceará, que baixou as mortes pela metade, de 52,8 casos por 100 mil em 2018 para 26,2 em 2019. Mas essa queda deve ser revertida neste ano porque, na comparação do primeiro semestre de 2020 com o mesmo período de 2019, já houve um aumento de 97% dos assassinatos.

Foi o aumento no Ceará que ajudou a puxar o número no Brasil. Foram 1.050 mortes a mais no estado, 68% das 1.700 mortes a mais que houve em todo o país. O estado vive uma crise de segurança e enfrentou greve da Polícia Militar em fevereiro, quando o número de assassinatos bateu recordes. Foi durante essa greve que o senador Cid Gomes foi baleado, em Sobral, ao tentar furar um bloqueio de policiais amotinados usando uma retroescavadeira.

Mesmo com pandemia. homicídios, feminicídios e mortes em confronto om polícia cresceram em 2020

Dados do fórum de Segurança pública mostram que regiões Norte e Nordeste puxaram o aumento do número de crimes.