Infectologista não descarta hipótese de uma segunda onda da doença

Cezar Negreiros

A médica infectologista Cirley Lobato não descarta a hipótese do Acre passar por uma segunda onda de contaminação da doença,  com a retomada das atividades econômicas como ocorreu em outras regiões do país.   Afinal, o estado contabiliza 447 mortes por covid-19 e registra 16.865 pessoas contaminadas desde que a capital acreana registrou os três primeiros casos importados da doença há quatro meses. A sua declaração é fundamentada nos indicadores que apontou para um aumento de novos casos após o prefeito de Cruzeiro do Sul optar pela flexibilização das regras do isolamento social.

O principal município do Vale do Juruá já contabiliza 43 mortes quase 10 de todos os óbitos no estado e 2.380 casos confirmados da doença. O último boletim epidemiológico do Hospital Regional do Juruá apontou que aproximadamente 67 novos pacientes foram internados na unidade hospitalar, sendo que 49 delas no Hospital de Campanha inaugurado na semana passada e quatro que tiveram complicações clínicas tiveram de ser internadas na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo).   O diretor do Hospital Regional do Juruá, Dr. Marcos Lima disse em entrevista para uma emissora de televisão que tinha registrado mais três novos óbitos nas últimas 24 horas. “Lamentamos a morte de dois pacientes do nosso município e de um de Mâncio Lima”, disse em tom de resignação.

A Secretaria Estadual de Saúde do Acre (Sesacre) divulgou apenas a morte de um aposentado de 63 anos, que veio a óbito no dia de ontem no Hospital da Regional do Juruá em Cruzeiro do Sul. A professora Cristina, do Colégio Diogo Feijó, estava fazendo um tratamento de um câncer no hospital e contraiu covid-19, a paciente não resistiu e veio a óbito, mas as autoridades aguardam o resultado do exame laboratorial para confirmação do caso.

O balanço do Departamento de Vigilância em Saúde (DVS) revelou que foram notificados 39.917 casos suspeitos da doença, mas 22.837 descartados e que  215 exames ainda aguardam o resultado laboratorial do RT-PCR do Centro de Infectologia  Mérieux e do Laboratório Central de Saúde Pública do Acre (LACEN-AC). Em contrapartida, 9.673 estão curadas, pois não apresentam mais sinais do vírus no organismo e que 183 pacientes continuam hospitalizadas, inclusive muitos deles na UTI.