Mais de dois mil microempreendedores individuais fecharam as portas pós-pandemia

Cezar Negreiros

Os números assustam: mais de dois mil miroempreendedores individuais (MEI’s) fecharam as portas no estado durante os quatro meses de isolamento social por cauda da pandemia.   O Acre tinha cerca de 12 mil MEI’s, mas apenas 10 mil sobreviveram a crise econômica e sobrevivem aos trancos e barrancos. Muitos deles nos procuraram durante a nossa campanha da Semana do Crédito, em busca do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) “que esbarraram na burocracia e na garantia para acessar as linhas de crédito disponibilizadas pelos bancos públicos”, lamentou o gerente de atendimento do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Acre (Sebrae/Acre), Cláudio Roberto Araújo.

Apontou como obstáculo o critério de 30% do faturamento do ano passado, como a média de rendimento dos MEI’s chega em torno de R$81 mil, desde que tivesse patrimônio poderia acessar um crédito de R$24mil, mas como muitos deles tiveram um rendimento de R$20 mil, o crédito disponibilizado corresponderia apenas R$4mil. “Tentamos ajuda-los, sem nenhuma garantia não puderam acessar as linhas de crédito do Pronampe”, observou.

O consultor do Sebrae-Acre informou que quase 50 empresas buscaram ajuda da campanha, apenas 32 deles conseguiram acessar as linhas de créditos disponibilizadas nos bancos públicos (Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco da Amazônia). Destacou que 60% dos empresários acreanos depararam com o problema da restrição de crédito (Serasa ou SPC), o que os impediam  de acessar os recursos disponibilizados pelo governo federal. A campanha buscava orientar o setor empresarial que passa por dificuldades financeiras devido a crise econômica pós-pandemia. O atendimento  individualizado de cada empresa buscava avaliar as melhores opções de crédito disponível no mercado financeiro. A ação incentivada pela Federação das Indústrias do Estado do Acre (Fieac) tinha como meta atender 150 micro e pequenas empresas no estado. A iniciativa foi o resultado do esforço da Federação, sindicatos industriais e do Sebrae para ajudar as empresas acreanas a terem acesso as linhas de crédito emergencial.

A Caixa Econômica Federal (CEF) conta com o programa de Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e Renda (BEm) destinado para trabalhadores com carteira assinada que tiveram seus ganhos reduzidos em função da pandemia. Trata-se de um auxílio financeiro mensal destinado aos trabalhadores que firmaram acordo com seus empregadores para redução da jornada de trabalho e de salário ou suspensão temporária do contrato de trabalho. 

O Banco da Amazônia (Basa) disponibilizou recursos do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). Até o mês passado aproximadamente 822 operações tinham sido contratadas nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins com financiamento para capital de giro, recurso utilizado para pagamento de salários, contas de energia e de luz, compra de matérias-primas e de mercadorias. O sucesso das operações, segundo a assessoria, levou a Diretoria do banco a solicitar à instituição gestora do Fundo de Garantia de Operações (FGO) do Pronampe a ampliação do teto financeiro do programa para R$ 350 milhões. O FGO foi o instrumento criado para diminuir os riscos com as operações feitas por meio desse funding.