MDB lidera ranking, mas perde prefeitos eleitos; PSDB e PT encolhem, e centrão ganha espaço

A eleição municipal deste domingo (15) colocou novamente o MDB como líder no ranking de prefeituras obtidas por partido e mostrou encolhimento do PSDB e do PT pelo Brasil.

PP e PSD, duas siglas do chamado centrão, e DEM foram as que mais ascenderam em número de municípios governados pelo país.

O pleito também aponta um relativo fracasso do PSL, sigla na qual Jair Bolsonaro se elegeu presidente, em transformar em votos seu farto orçamento do fundo eleitoral.

No ranking geral, o MDB foi vitorioso em 777 dos 5.567 municípios. Não há eleição em Brasília e ainda será realizado segundo turno em 57 cidades. Em Macapá (AP), a votação foi adiada.

Os dados, tabulados pela reportagem nesta segunda-feira (16), se referem a 98% dos municípios.

O resultado emedebista representa um encolhimento de 25% em relação à quantidade de prefeituras ganhas há quatro anos, mas a retração não foi suficiente para que o partido deixasse o primeiro lugar obtido em 2016. Diferentemente de outras ocasiões anteriores, nenhuma agremiação atingiu a marca de mil prefeitos.

O MDB tem tradicional enraizamento em pequenos municípios país afora, circunstância que remonta ainda à época em que era oposição ao regime militar (1964-85).

A manutenção da hegemonia nos pleitos municipais deste século ameniza o revés da sigla na eleição de 2018. Identificado com a política convencional e desgastado com a baixa popularidade do então presidente Michel Temer, o partido viu sua bancada na Câmara encolher 30% e sofreu na ocasião derrotas com antigos caciques, como os ex-senadores Romero Jucá (RR) e Edison Lobão (MA).

Na disputa municipal pelo país, tradicionalmente vínculos partidários e com nomes nacionais tendem a ter um apelo mais restrito do que nas eleições estaduais.

O estado onde obteve mais prefeituras foi o Rio Grande do Sul, com mais de 130 vitórias.

Segundo colocado no ranking de 2016, quando surfou em uma eleição marcada pela rejeição ao PT, o PSDB caiu de 804 para 519 prefeituras vencidas.

Há quatro anos, o partido venceu em sete capitais. Agora, fez os prefeitos eleitos de Palmas (TO) e Natal (RN), e disputará o segundo turno na maior cidade do país, São Paulo.

Principal antagonista dos tucanos historicamente, o PT também deve sair do pleito como derrotado no quesito quantidade, a exemplo do ocorrido em 2016, ano do impeachment de Dilma Rousseff.

O partido se mantém sem prefeitos em capitais — disputará o segundo turno em duas delas — e nem sequer repetiu a já baixa marca de 256 prefeituras alcançada há quatro anos.

Antes, nas eleições municipais de 2012, ápice da popularidade de Dilma e Lula, petistas haviam vencido em 644 cidades. Neste ano, até agora, venceu em 178.

Outro partido tradicional que amargou uma queda foi o PSB, que se fortaleceu nacionalmente ao longo dos mandatos petistas na Presidência com a penetração no Nordeste. O partido, porém, caiu de 409 prefeitos em 2016 para 251 agora.

Também no campo da esquerda, o PSOL, destaque nas eleições para o Legislativo em grandes centros e nova força política em São Paulo, não conseguiu ampliar exponencialmente a quantidade de municípios governados. Foram quatro municípios conquistados até aqui.

No grupo dos partidos que mais avançaram, está o PP, sigla também de certa tradição em cidades pequenas, principalmente no Sul, e integrante do centrão (bloco parlamentar que neste ano se aproximou do governo Bolsonaro).

A legenda agora é a segunda em número de prefeituras, passando de 498 para 682 prefeitos neste ano.

Outro membro do centrão, o PSD, do ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab, subiu de 539 para 652.

Ao longo da década, o partido vem tirando espaço de outras forças nos estados e no Congresso, contribuindo para o quadro de pulverização partidária. Hoje, o país possui 33 partidos registrados.

Também com alguma aproximação com o governo, à frente de dois ministérios, o DEM ampliou sua quantidade de prefeitos em 70%. O partido, porém, ainda está distante dos tempos do auge vivido quando ainda se chamava PFL. Na campanha de 2000, superou a marca de mil vitórias.

A eleição deste domingo teve apenas 91 prefeitos eleitos pelo PSL, sigla catapultada há dois anos à condição de segunda bancada da Câmara com a onda bolsonarista da época.

Rachado por atritos com a fa-mília Bolsonaro em 2019, ainda assim permaneceu com a segunda maior fatia do fundão eleitoral, com quase R$ 200 milhões, atrás apenas do PT.

Nas capitais, excetuando Macapá, já encerrou sua participação sem vencer em nenhuma. Uma de suas vitórias mais relevantes foi em São Carlos, no interior paulista.

Outro partido que despontou com o fenômeno de renovação política de 2018, o Novo, bem votado para o Legislativo, ainda não elegeu prefeitos. Porém a agremiação, que já governa Minas Gerais desde 2019, disputará o segundo turno em Joinville, maior município de Santa Catarina, um dos estados mais identificados com o bolsonarismo há dois anos.

Também no campo dos partidos que ganharam espaço neste domingo, estão siglas consideradas nanicas no Congresso até poucos anos atrás e que se beneficiaram do cenário de pulverização das forças políticas.

O Avante (ex-PT do B) passou de 12 para 80 prefeitos eleitos. O Patriota (ex-PEN) subiu de 13 para 48 e o Podemos (ex-PTN) foi de 30 para 97.

Neste ano, menos partidos elegeram prefeitos: 28, ante 31 em 2016.