Motoristas de ônibus fazem greve relâmpago para cobrar salários atrasados

Os motoristas de ônibus bloquearam no dia de ontem o prédio da prefeitura de Rio Branco e a entrada do Terminal Urbano para protestar contra o atraso do salário da categoria. Eles cobravam o pagamento atrasado de três meses de salário e os equipamentos de proteção individual, depois que cinco colegas foram contaminados pelos coronavírus. “Os infectados por covid-19 estão em casa isolados, mas até agora não receberam nenhuma ajuda das empresas do transporte coletivo”, denunciava o motorista Rogério Barros.

Barros disse que a categoria só retornará as ruas da capital, depois que receber os salários atrasados. Contou que estão cansados de aguardar o pagamento do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e Renda (BEm). Os grevistas usaram os carros das próprias empresas para fechar as avenidas Getúlio Vargas e Brasil provocando um grande engarrafamento no centro da cidade.

Foto: Dhárcules Pinheiro

Para o sindicalista Francisco Marinho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas do Estado do Acre (Sinttpac), a reivindicação da categoria é legítima. Contou que desde a vigência do isolamento social por causa da pandemia de coronavírus, que as empresas reduziram a jornada de trabalho dos motoristas amparados pela Medida Provisória (MP 936/20) que permite a redução de 70% do salário, para que a diferença seja paga pelo governo federal, através do BEm.

Marinho explicou que o benefício é pago aos trabalhadores que fizeram acordo com o empregador para redução proporcional da jornada de trabalho e de salário ou para suspensão temporária do contrato de trabalho, conforme a legislação vigente, o valor do auxílio corresponde a um percentual do Seguro-Desemprego As empresas propuseram aos trabalhar 10 dias interruptamente e ficaria o restante dos 20 dias em casa em regime de flexibilização, conforme o acordo celebrado com o sindicato, “mas as empresas não pagaram o valor previsto, nem o governo federal depositou as parcelas do auxílio prometido”, lamentou.

Foto: Dhárcules Pinheiro

Subvenção – A prefeita Socorro Neri esclareceu que problema de pagamento é com as empresas concessionárias do serviço de transporte coletivo. Desde que assumiu a prefeitura que o problema de atraso salarial têm sido recorrente, pois as empresas querem que o poder público arque com o subsídio para minorar a crise que o setor passar. “Por enquanto, estamos avaliando com muita cautela para não prejudicar os motoristas, mas buscaremos encontrar algum tipo de subvenção para amenizar o problema”, prometeu.

As três empresas de ônibus com concessão na capital acreana contam uma frota de 109 ônibus, mas a empresa Cidade de Rio Branco é detentora por 63% das linhas de ônibus, o consórcio Via Verde São Judas Tadeu e Floresta por 37¨% das concessões. Aproximadamente 740 trabalhadores, sendo que 550 deles são motoristas, que por uma dupla jornada (motorista/cobrador), eles recebiam antes da pandemia um piso base de R$ 2.294,00 mais um adicional de R$ 485,00, que somados chegavam em torno de R$2.779,00.