MP vai exigir que famílias com condições financeiras retirem idosos do Lar dos Vicentinos

Ministério Público estadual vai exigir que famílias que abandonaram idosos no Lar do Vicentinos, em Rio Branco, sejam obrigados a retirar o idoso do abrigo e levá-lo para casa.

O promotor de Justiça, Júlio Cézar de Madeiro, da promotoria de proteção ao idoso, descobriu que muitos idosos poderiam estar recebendo dos cuidados dos familiares em seus lares, mas para fugir da obrigação, imposta por lei, muita gente decidiu buscar uma vaga no Lar do Vicentinos. Com isso, se retirou a vaga de quem realmente precisa, que são os idosos sem parentes.

Nos próximos dias, a direção do abrigo repassará as informações sobre a origem de cada interno e a família que não aceitar pegar o idoso de volta será acionada na Justiça.

Atendendo 56 idosos o Lar dos Vicentinos está no limite. O abrigo tem capacidade para 60 internos.

O MP, durante vistoria, descobriu que o prédio que abriga os internos está em situação precária. A estrutura física de algumas alas está comprometida. As paredes dos quartos não perderam apenas a tinta, mas, parte do reboco também precisa ser refeito. Os corrimões de madeira sofrem com ação do tempo e muitos não resistiram e estão quebrados. Isso afetou a segurança dos idosos que precisam de apoio para andar.

A rede elétrica tem problemas constantes de pane, com tantos fios soltos. Todas essas informações estão no relatório do Ministério Público, que quer buscar recursos para que o lar dos vicentinos passe por uma reforma. “Hoje, em alguns setores, está inviável manter em segurança os idosos por causa da precariedade da estrutura física. Precisamos urgentemente buscar alternativas para resolver esse problema”, declarou.

O ministério público também quer ampliar o convênio com a prefeitura e exigir uma participação maior do Governo do Estado para ajudar o abrigo, que hoje não conta com nutricionista, assistente social nem psicólogo.

Atualmente o abrigo se mantém graças aos próprios internos que deixam 70% de suas aposentadorias para os gastos com comida e higiene. A prefeitura repassou pouco mais de R$ 200 mil para um período de dois anos. No entanto, dinheiro para reforma ou ampliação esse não existe.
Quanto ao atendimento, o promotor disse que os idosos estão sendo bem assistidos. “Não faltam atendimentos médicos, alimentação e cuidados de higiene, mas com um público tão especial, o poder público também deveria colaborar mais”, definiu.