Mulheres fazem protesto em frente do estádio José de Mello


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Cezar Negreiros

O movimento feminista acreano protesta no dia de hoje em frente ao estádio Jose de Mello, durante a apresentação do goleiro Bruno Fernandes ao novo clube Rio Branco Football Club. Desde que o presidente do Estrelão Neto Alencar anunciou contratação do ex-goleiro do Flamengo para a temporada, que o cartola que sido alvo de duras críticas do movimento feminista, sócios e torcedoras que discordaram da decisão da diretoria.   

O atleta de 35 anos chegou a ser anunciado no começo do ano como reforço do Operário de Várzea Grande (Mato Grosso), mas diante da repercussão negativa a equipe  reincidiu o contrato. O jogador se apresenta nessa sexta-feira (dia 31), mas começará a treinar com o elenco que se prepara para disputar o Campeonato Estadual Acreano, o Campeonato Brasileiro da Série D e a Copa Verde nessa semana.    

A diretora da equipe alvirrubra evita falar sobre o salário do jogador que cumpre pena em regime semiaberto por conta do seu envolvimento no caso Eliza Samudio, que chocou a sociedade brasileira por conta da barbaridade cometida. Depois de conquistar o direito de progressão de regime fechado para semiaberto, o goleiro teve uma curta passagem pelo time de Poços de Caldas, no estado de Minas Gerais.  “A nossa manifestação busca repudiar o contrato de um esportista, para ajudar o time local, que cometeu um crime hediondo e que será projetado como ídolo para nossas crianças e adolescentes”, lamentou a professora universitária Madge Porto,  coordenadora do grupo de pesquisa Laboratório de estudos e pesquisas feministas em saúde mental,  cultura e psicanálise  (LabEFem), da Universidade Federal do Acre (Ufac).

Destacou que essa decisão da direção do clube acreano é compreendida  como uma afronta a sociedade, como se matar mulheres fosse algo natural e  que quem mata mulheres pode continuar sendo ídolo da juventude. O protesto pacífico, segundo ela, busca esclarecer à sociedade acreana o motivo que um feminicida não pode servir de exemplo para as crianças e jovens. O movimento feminista tem usado as redes sociais para protestar contra a decisão do presidente do Estrelão de contratar o goleiro Bruno.

A escolha refletiu negativamente, depois que o estado registrou seis casos de feminicídio, com quatro assassinatos bárbaros durante a quarentena ( isolamento social). Que ele retorne para seu estado, cumpra sua pena e trabalhe em algo que possa se sustentar e pagar a pensão do filho órfão. Que se recolha. Não queira voltar aos holofotes depois de tudo que fez. “Não somos mais o lugar para aceitar o desterro”, desabafou a militante feminista e conselheira do Conselho Municipal de Direitos das Mulheres (CMDM).