Negacionismo e isolamento provocam crise de vacinação contra pólio em Rio Branco

Rio Branco está vivendo tempos em que a polarização política e a pandemia causam problemas graves na perspectiva da saúde da população. Por exemplo, por conta do isolamento social e, principalmente, por questões ideológicas e da guerra travada nas redes sociais em torno do tema, da posição negacionista de autoridades federais, a cobertura vacinal das crianças acreanas é uma das mais baixas do país.

A prefeitura estima que apenas 24% da população alvo esteja imunizada contra a poliomielite e para outras vacinas obrigatórias do calendário. O percentual também se situa abaixo da linha de resposta imune da população, que previne ressurgimento da doença.

O Acre ainda ostenta alguns bons números, que o fazem o único estado da região Norte sem novos casos de sarampo, por exemplo, mas a situação preocupa porque a cobertura da vacina também está caindo.

Negacionistas da vacinação tomaram as redes sociais, transformando o que é assunto de saúde pública em aspecto político e ideológico. O Acre já havia sofrido, antes, um baque na vacinação por causa dos incidentes provocados por reações de adolescentes à vacinação de HPV.

Depois de longa investigação, que levou as jovens a exames profundos em São Paulo, ficou comprovado que a vacina não provocou os sintomas, que foram fruto de reação por surtos psicológicos, sem relação com a imunização.

As famílias das jovens afetadas ainda não aceitam o diagnóstico científico e campanhas contra a vacinação na internet ajudam a difundir o medo e a rejeição à prática da vacinação, que em tempos anteriores havia atingido mais de 98% da população alvo.

Para tentar solucionar o problema, a prefeitura de Rio Branco está adotando táticas agressivas, levando vacinas para shoppings, ampliando a cobertura das URAPS, estando previstas novas formas de atrair o público para a vacinação.

A polêmica em relação á vacina da COVID, a posição do governo federal de não considerar a vacina obrigatória impacta sobre outras imunizações e põe a sociedade em alerta.