Nem novo, nem velho, eleitor deve apostar em gestão para pleito 2020

As convenções partidárias, encerradas na semana passada, definiram sete candidatos que vão disputar o cargo mais alto do Executivo em Rio Branco. Com a definição dos prefeituráveis, discursos “inovadores” e “experientes” se tornaram a principal estratégia para conquistar o voto do eleitorado. No entanto, especialistas destacam que gestão e transparência são fatores que devem eleger o próximo prefeito da capital.

Diferente dos pleitos municipais anteriores, a campanha eleitoral, prevista para iniciar a partir do dia 27 de setembro será marcada pela competitividade entre as chapas encabeçadas por: Socorro Neri (PSB), Daniel Zen (PT), Jamyl Asfury (PSC), Jarbas Soster (Avante), Minoru Kinpara (PSDB), Roberto Duarte (MDB), e Tião Bocalom (PP). Apesar de ser realizada em um cenário atípico, o discurso do “novo e do velho” ainda se mantem ativo nas eleições deste ano.

Para o cientista político, Nilson Euclides, apesar do meio digital e as redes sociais fazerem com que o eleitor fique mais antenado nos candidatos, o desejo da população é apostar em um nome que conquiste pela confiança, deixando de lado a criação de um personagem.

“Acabou a era de vender uma imagem do político, aquela coisa de criar um personagem encantador. O eleitor hoje quer olhar para o sujeito e confiar, acreditar nele. Estamos na era do parecer e ser. Agora é o povo, são as pessoas que decidem aqui do lado de fora. E isso é bom, é praticamente uma revolução que ainda nem terminou”, disse.

Os candidatos deverão adequar os atos de campanha a este novo momento, em que o país ainda luta contra um vírus que vitimou milhões de pessoas, o que se configura um desafio.

Para boa parte da população, a experiência vai facilitar uma boa gestão e a articulação é fundamental para isso.

O saudoso cientista político, Martin Bruzugu, dizia que o Brasil vive uma espécie de presidencialismo de coalisão. “O governador precisa do apoio da assembleia legislativa, o presidente precisa do congresso. Senão ninguém governa direito”, falava.

Ainda que se destaque a força desse atributo, há eleitores que veem a articulação política na perspectiva de o candidato estar somente voltado para seus próprios interesses, em detrimento dos interesses da população. O estudante Diego Almeida assegura que “para os nossos governantes, o que vale mais hoje em dia é a articulação, porque antes de haver votação, eles passam anos arquitetando, articulando sobre seus interesses próprios”.

Ação e discurso

Hannah Arendt, em ‘A Condição Humana’ destaca a relação entre a ação e o discurso e afirma que essa relação expressa quem a pessoa é. O velho discurso do “novo” já não conquista mais votos, assim como a confiança não é mais depositada em estruturas engessadas. Os olhos de todos estão atentos para os novos rumos da política.

Advogado e consultor jurídico, Antônio Olimpio, também aposta na gestão como a mais importante característica de um candidato. E explica que, “ao longo dos tempos, o que mais vimos foram políticos experientes envolvidos em escândalos de roubos. Articulação sem gestão é o caminho para o “toma aqui uma grana e facilita tal coisa”. E finaliza: “a articulação só serve para montagem de esquema com pessoas já viciadas”.