Nova escola indígena une arrojo arquitetônico com tradição e sustentabilidade

O novo projeto de escolas indígenas que começarão a ser construídas no próximo ano une uma moderna e arroiada concepção arquitetônica, com aspetos da cultura das comunidades, com baixo custo e respeito ambiental. Energia solar, reutilização da água da chuva e ampliação programada sem necessidade de demolição dos espaços são as novidades dessas  escolas indígenas, cujas obras programadas pelo governo Gladson Cameli terão início em 2021.

Visto de cima, o projeto mais se parece com módulos das colônias espaciais filmes. Mas o design das novas escolas indígenas do Acre – cujas primeiras unidades começam a ser construídas em 2021 -, além de futurista, leva em consideração uma questão crucial neste século, a autossuficiência energética com proteção ao meio ambiente.

A pedido do governador Gladson Cameli, a equipe de criação da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Regional (Sedur) elaborou o projeto levando em consideração tecnologias e soluções ecologicamente viáveis no interior da selva amazônica, onde gás de cozinha e energia elétrica, por exemplo, são problema real.

Esta semana, o secretário de Educação, Mauro Sergio Cruz, conheceu programa, apresentado pela chefe do Departamento de Criação da Sedur, a arquiteta Soad Farias, e sua equipe de engenheiros e arquitetos. Farias explica que a Nova escola indígena ambiental – padrão modular, como é chamado o projeto, tem como base seis conceitos fundamentais. Eles são a adaptabilidade, a funcionalidade, a identidade, a tecnologia, a versatilidade e a viabilidade.

Mauro Sergio Cruz, secretário de Educação.

Seis conceitos fundamentais

A lógica é a de que as escolas sejam construídas otimizando custos que não influenciem na qualidade da obra. Um exemplo é a terraplanagem que não será necessária, já que poderão ser erguidas sobre qualquer terreno, inclusive sobre terras encharcadas, utilizando-se de materiais relativamente simples, robustos e muito viáveis economicamente.

“Só para citar um exemplo, quando houver necessidade de ampliação, essa solução virá com a expansão dessas salas em módulos de 50 metros quadrados, eliminado a necessidade de demolição dos já existentes”, ressalta Soad Farias. Segundo ela, “esses fatores desoneram muito a construção e garantem a viabilidade da obra”.

A tecnologia estará presente tanto nos compostos usados na construção, quanto no sistema de energia solar e de filtragem da água da chuva, que poderá ser usada para descarga nos vasos sanitários e para a lavagem de utensílios como pratos, panelas e talheres, no refeitório.

A cobertura, com iluminação zenital – que é a entrada de luz natural por meio de uma abertura no teto -, terá proteção com policarbonato azul e alveolar de seis milímetros, um dos aspectos que dá um ar futurístico ao projeto.

O teto é de telhas ondulares em alumínio, com subcobertura em manta térmica impermeável do tipo duralfoil. A estrutura receberá painéis solares sobre o salão multiuso, localizado ao centro da escola, que terá forma de uma figura geométrica de hexágono [de seis lados]. Já o piso será construído em laje de concreto, com nata de cimento queimado.