Novo ministro do MEC é crítico de comunistas e citou nazista em texto

Jair Bolsonaro (PSL) anunciou nesta segunda-feira (08) a troca do comando do Ministério da Educação (MEC). No lugar de Ricardo Vélez Rodriguez, demitido nesta manhã, assume o economista Abraham Weintraub.

Seguidor assumido de Olavo de Carvalho, Weintraub, que não possui nenhum curso sobre Educação listado em seu Currículo Lattes, foi um dos integrantes da equipe do governo de transição comandada pelo atual ministro Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

Ele e seu irmão, o advogado Arthur Weintraub – que também integra o governo, como assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial do Presidente da República -, participaram da formulação do programa de governo de Bolsonaro na área de Previdência, na equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Após a eleição, ele assumiu como secretário executivo da Casa Civil, o segundo posto mais importante do ministério comandado por Lorenzoni, cargo que deixa agora para assumir o MEC.

Abraham, que em sua trajetória acadêmica como professor orientou apenas um trabalho de conclusão de cursos, é direto ao afirmar que pretende “acabar com o marxismo cultural” que existiria nas instituições de ensino.

A crítica ao marxismo e ao pensamento comunista é tamanha que até mesmo seu irmão já deu palestra incentivando os alunos a ofenderem pessoas que seguem a esquerda, mesmo sem algum motivo que “justifique” as agressões verbais.

Weintraub formou-se em Ciências Econômicas pela Universidade de São Paulo e é mestre em Administração Financeira pela Fundação Getúlio Vargas. No entanto, diferentemente do informado inicialmente por Bolsonaro no Twitter, o economista não declara na plataforma Lattes nem na rede social LinkedIn que tenha cursado um doutorado.

Weintraub também atuou como executivo do mercado financeiro por mais de 20 ano. Foi sócio da Quest Investimentos, diretor do Banco Votorantim, membro do comitê de trading da Bovespa, conselheiro da Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord).

Weintraub foi demitido do Votorantim em agosto de 2012, conforme ata de reunião publicada na época. O comunicado não dá detalhes dos motivos da saída do executivo.

FAMÍLIA

 Além de Abraham, seu irmão também possui muita influência no governo federal. Os irmãos Weintraub se aproximaram se Bolsonaro por meio de Lorenzoni, como relatou Arthur em uma reunião do departamento do Curso de Ciências Atuariais da Unifesp, do qual ele é professor, em março de 2018.

De acordo com a ata do encontro, Arthur contou aos presentes que, após a apresentação de sua proposta de reforma da Previdência no Congresso Nacional, foi procurado por Lorenzoni, que o informou que deputados estavam interessados em seu trabalho – entre eles, o então pré-candidato Bolsonaro.

DEUS, FÍSICA E NAZISMO

Em novembro de 2017, Bolsonaro publicou nas redes sociais um texto assinado por sua equipe e pelos irmãos Weintraub em que defendiam a independência do Banco Central, faziam críticas ao Partido dos Trabalhadores e tratavam do tripé macroeconômico.

O texto diz que, “com sua independência, tendo mandatos atrelados a metas/métricas claras e bem definidas pelo Legislativo, profissionais terão autonomia para garantir à sociedade que nunca mais presidentes populistas ou demagogos colocarão a estabilidade do país em risco para perseguir um resultado político de curto prazo”.

Ainda foram feitas críticas à ex-presidente Dilma Rousseff por “desastrosa condução da inflação” e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ter deixado o país “com seus ungidos Dilma/Temer”.

Em um trecho confuso e com o grave erro histórico de que o Nazismo seria de esquerda, o que já foi provado que não era, foram citados o ministro de propaganda do regime nazista alemão, Joseph Goebbels, o cientista Galileu Galilei e um versículo bíblico.

“Enquanto a esquerda prefere gurus do Nacional Socialismo como Joseph Goebbels: ‘Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade’; nós ficamos com Galileu Galilei: eppur si muove [no entanto, ela se move, em tradução livre]! Todavia, a convicção que venceremos vem de João 8:32 ‘E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará’.”

Este texto gerou uma nota de repúdio de parte dos centros acadêmicos da Unifesp, em que criticavam o apoio dos irmãos Weintraub a Bolsonaro por “normalizar o candidato como legítimo e que supostamente merece nosso diálogo”.

Ao lado do irmão, Abraham participou da Cúpula Conservadora das Américas, em dezembro de 2018. A dupla apresentou uma palestra na qual listava estratégias para “vencer o marxismo cultural nas universidades”, inspiradas em teorias do escritor Olavo de Carvalho.

(Com informações da BBC Brasil)