O Agronegócio e o Desenvolvimento do Acre

Prof. Dr. Carlito Cavalcanti*

O atual governador, Gladson Cameli, foi eleito defendendo o agronegócio como principal proposta de progresso do Estado do Acre. Esta se constituiria no carro-chefe da Economia, a atividade moderna capaz de gerar externalidades positivas, efeitos de arraste e elevar o nível de empregos, enfim, responsável por alavancar o desenvolvimento acreano. É claro que só o discurso de desenvolver o Acre a partir do agronegócio não é suficiente para eleger um governador. Certamente, existem muitos outros fatores que explicam a vitória de Gladson Cameli, mas é fato que isto contribuiu, em muito, para sua vitória.

Os acreanos, em sua maioria, parecem acreditar que esta atividade é capaz de modernizar o Acre. Além disso, consta do Plano de Governo, “Mudança e Competência”, que tal atividade, em conjunto com o crescimento das preocupações com as questões ambientais e, em particular, o aquecimento do planeta e perda de biodiversidade, colocaram a preservação da Floresta Amazônica como uma questão de interesse internacional.

O agronegócio, conceito amplo derivado da expressão inglesa “agribusiness”, diz respeito ao conjunto de atividades econômicas, cujas relações comerciais e industriais envolvem a chamada cadeia produtiva agrícola e/ou pecuária. Sendo assim, englobam os setores chamados Antes da Porteira, composta basicamente pelo conjunto de fornecedores de insumos e serviços, de máquinas, implementos, corretivos, sementes, tecnologia, fertilizantes e financiamentos. Enquanto, Dentro da Porteira envolve ações da produção agropecuária propriamente dita, como: o preparo do solo, tratos culturais, manejo, irrigação, colheita, criação de animais e ainda outras atividades complementares.

Por fim, Após a Porteira refere-se, sobretudo, às ações de armazenamento, beneficiamento, industrialização, embalagens,  transporte, distribuição, dentre outras atividades, como propaganda, atuação na bolsa de mercadorias, consumo final,   produtores rurais (que podem ser pequenos, médios ou grandes; pessoas físicas ou jurídicas),  representantes da indústria e do comércio (fabricantes de fertilizantes, por exemplo) e, por fim, os agentes que cuidam do transporte e da venda dos produtos agrícolas, tais como: frigoríficos, indústria têxtil, supermercados etc.

Nas últimas décadas, espraiou-se no mundo o desejo pela preservação dos recursos naturais, no que se refere ao maneio adequado do meio ambiente, de sorte a permitir seu usufruto às gerações futuras. A sustentabilidade – crescimento econômico com justiça social e prudência ecológica – impôs-se como princípio norteador de uma nova forma de relação do homem com a natureza e passou a estar presente em todos os fóruns de debates a respeito do Desenvolvimento Econômico.

Posto assim, este tema se insere no âmbito dos debates sobre a possibilidade de compatibilização entre crescimento econômico e preservação ambiental. O quadro de preocupações com a questão ambiental, evidencia a importância crescente da Amazônia pelas suas dimensões e riquezas naturais, mas, principalmente, porque os estudos e pesquisas sobre o meio ambiente estabeleceram um papel crucial desta, na resolução ou agravamento desses problemas.

Passados dois anos, já se percebe muitos avanços e o quanto este tema é complexo. O grau de dificuldade de implementar as políticas definidas no Plano de Governo, evidencia que um projeto circunscrito ao ambiente governamental implica, sobretudo, no envolvimento e participação da sociedade civil organizada, como eixo fundamental para a superação dos desafios e êxito dessa empreitada.

*Carlito Cavalcanti, Doutor em Economia pela Unicamp, professor aposentado da Ufac, atualmente é Diretor executivo no Instituto de Terras do Acre – Iteracre.