O Psol teria usado a candidatura das mulheres apenas para pegar o dinheiro do fundo eleitoral

Glória Melo foi a única candidata a deputada federal pelo psol nas últimas eleições (2018), teve apenas 358 votos, mas gastou durante a campanha R$ 120 mil reais dos recursos do fundo eleitoral. Outras candidatas a vaga de deputada estudual, como Isa Santos e Ines Barroso receberam do fundo eleitoral R$ 13 mil cada, e tiveram pouco mais de 20 votos.

A votação e os recursos recebidos pelas candidatas, consideradas laranjas, fizeram a Polícia Federal deflagrar mais uma operação no Acre. Foram cumpridos na manhã dessa terça-feira 17 mandados de busca e apreensão em Rio Branco e Rodrigues Alves. Além da sede do Psol na capital, os agentes estiveram em residências de membros da executiva estadual, escritórios de dois advogados, Robson Aguiar e Frankcinato Batista, um contador e uma gráfica, ambos em Rio Branco, em busca de documentos e outros materiais probatórios. Ao todo 25 pessoas foram intimadas a prestar esclarecimentos na sede da Polícia Federal, entre elas as candidatas do Psol na última campanha.

Durante a invesitgação se descobriu que muitas dessas candidatas faziam campanhas para outros candidatos da sigla e até de adversários políticos. O Psol teria usado a candidatura das mulheres apenas para pegar o dinheiro do fundo eleitoral.

Dos R$ 545 mil que a sigla recebeu durante a campanha, cerca de R$ 160 mil, que eram para as candidatas do sexo feminino, podem ter sido desviados ou aplicados em outras candidaturas.

O delegado da PF, Pedro Ivo, disse que o trabalho agora é buscar quem foram os candidatos beneficiados com esses recursos. O Psol não elegeu ninguém, mas o dinheiro do fundo eleitoral destinado ás mulheres foi usado de forma ilegal. A lei eleitoral determina que 30% dos valor do fundo são destinados as candidaturas do sexo feminino. “Com as provas que juntamos hoje, mais os depoimentos, principalmente das candidatas vamos apontar quais pessoas serão indiciadas”, apontou.

Mas a conta dos desvios é bem mais ampla dentro do Psol. Houve locação de veículos fictícios, assim como o gasto de combustível. Nas notas, o carro movido a diesel, no entanto, o pagamento era para gasolina. Até a quantidade era acima do tanque do veículo. Material gráfico foi confeccionado em quantididades inferiores ou nunca existiram.

O presidente do partido Frank Batista, foi afastado da direção por ordem judicial. Ele também foi ouvido nessa segunda-feira. O delegado responsável pelas investigações disse que os depoimentos ajudaram a policia a formar as provas que tanto buscavam.

Além das candidaturas laranjas e os gastos fictícios membros da direção do Psol vão responder por coação de testemunhas , inclusive usando de violência e ameaças. A denuncia chegou á Polícia Federal através de uma militante do Psol, que não aceita a forma como as mulheres são tratadas no partido.