O que salva a economia é dinheiro na mão do povo, não aglomeração

Cesário Campelo Braga

Em meio a pandemia, o auxílio emergencial tem sido um alento, um sopro de esperança para economia e para as famílias de todo o Brasil que sem esse dinheiro estariam mergulhadas na fome e no desespero. A decisão conjunta da oposição (PT, PSOL, PCdoB, PDT e Rede) ao presidente Bolsonaro, na Câmara e Senado, de não aceitar a proposta do governo de um auxílio de 200 reais, talvez seja uma das posições mais acertadas do Brasil nos últimos meses. Entre a proposta de 1 mil reais da oposição e a de 200 reais do governo, os 600 reais resultantes têm sido decisivos para que essa crise não seja mais aguda.

Em alguns grupos de Whatsapp dos quais participo, para além das preocupações com a saúde de amigos e familiares que estão contaminados, dos lamentos e luto pela perda de entes queridos, as perguntas recorrentes ainda são “conseguiu fazer o cadastro? Seu auxilio já saiu?” E a pouca felicidade que conseguimos ver é quando a resposta é sim. Esse sim quase sempre é seguido da frase, “vou pagar a luz e comprar comida, tá tudo muito difícil.”

Ora, a pandemia potencializou a crise econômica que vivíamos e escancarou as desigualdades do Brasil, trouxe à tona a importância do Estado para o socorro da população mais carente, na área da saúde, com os hospitais públicos, e na economia, com dinheiro dos auxílios. Em estados como o Acre, a pandemia potencializou uma máxima conhecida por todos que se aventuram a querer compreender a economia do estado e municípios, somos majoritariamente dependentes do dinheiro público e nossa iniciativa privada é frágil.

Corretamente diante dessa situação, todos os olhos estão voltados para o governo e no Acre os clamores são direcionados ao governador Gladson Cameli. A população que sofre nas filas das unidades de saúde pedem por atendimento médico, remédios e UTIs, a população do interior exige unidades de saúde mais equipadas, quem tem fome pede sacolões, que foram entregues uma única vez e os empreendedores solicitam a flexibilização do decreto de isolamento, acreditando que isso pode salvar suas vidas.

É fato que o governador Gladson Cameli não apresentou uma única saída para a crise econômica resultante da pandemia, nem para os empresários, nem para a população desempregada, nem mesmo para os trabalhadores informais, mas, será que é correto para responder a essas crise flexibilizar o decreto de isolamento social? Voltar as aglomerações com protocolos não deveria ser uma alternativa para a retomada econômica em um estado que se quer estar dando conta da tarefa primordial de cuidar das vidas.

Diferente do Acre, li no G1 que a pandemia fez com que 23 estados e o DF adotassem auxílios financeiros próprios, como linhas especiais a micro-empreendedores, tíquete alimentação, auxílios financeiros estaduais e bolsas para estudantes. Aqui o governador Gladson Cameli e sua base na assembleia legislativa têm sido omissos no enfrentamento a crise econômica e intransigentes com quem se propôs a ajudar. Propostas apresentadas por deputados de oposição que tentavam amenizar a crise financeira, foram rejeitadas ou levianamente não implementadas.

A suspensão dos consignados apresentada pelo deputado Edvaldo Magalhães e a criação de um auxilio financeiro estadual apresentada pelo deputado Daniel Zen, são dois exemplos de ações para enfrentar a crise econômica, que colocam mais dinheiro em circulação, auxiliam os pequenos empreendedores e profissionais autônomos, não geram riscos para a saúde da população e que o governo rejeitou ou não colocou em operação.

Imaginem os milhões que estão sendo economizados, com água, luz, telefone, combustível, passagens, alugueis de veículos, contratos temporários, diárias de toda a estrutura do governo, por que não colocar esse dinheiro não mão dos que estão passando por dificuldades? Sabemos que existe uma queda na receita, mas também existe uma queda ainda mais brusca nos gastos. Por que não buscar uma saída que além de salvar a economia possa garantir as vidas?