Operação contra presidente do Solidariedade desvia atenção do partido dos problemas de Luziel


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Um apelo de pouco resultado. O agora ex-candidato do Solidariedade à prefeitura da capital, Luziel Carvalho, como forma de protesto por ter tido sua candidatura cancelada, acampou com sua família dentro da sede do diretório estadual do partido. Alguns amigos fiéis também participaram do ato. Luziel promete ficar na sede até seja revertida a decisão do partido de cancelar seu nome para disputa do pleito.

Luziel promete resistência, uma verdadeira greve para chamar a atenção para suas reivindicações: “Não sairei daqui espontaneamente. Jamais desistirei. Espero uma posição da executiva nacional do meu partido. Sou filiado e ficarei aqui até que essa arbitrariedade seja revertida”, disse hoje pela manhã.

Mas as esperanças de Luziel de um posicionamento da direção nacional do Solidariedade podem dar em nada. O partido tem outras preocupações mais prementes, especialmente a partir da notícia de que o líder nacional do Solidariedade e presidente da legenda, deputado Paulinho da Força foi alvo ontem de sete mandados de busca e apreensão, em escritórios, gabinetes e residências em São Paulo (SP) e Brasília (DF), por ordem da Operação Lava Jato.

A sede da Força Sindical, no bairro da Liberdade, em São Paulo, o apartamento do deputado nessa capital e o gabinete dele em Brasília também foram alvos de buscas. Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, é um dos mais importantes líderes sindicais do país.

A operação Dark Side é primeira fase da operação Lava Jato junto à Justiça Eleitoral de São Paulo desde o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal que reafirmou a competência da Justiça Eleitoral para os crimes conexos aos crimes eleitorais.

Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em São Paulo (SP) e Brasília (DF), além do bloqueio judicial de contas bancárias e imóveis dos investigados, determinados pela 1ª Zona Eleitoral de São Paulo/SP.

A operação foi deflagrada após inquérito policial encaminhado à Justiça Eleitoral de São Paulo em meados de 2019, depois da colaboração premiada de acionista e executivos do Grupo J&F.

De acordo com as investigações, foi constatada a existência de indícios do recebimento de doações eleitorais não contabilizadas durante as campanhas eleitorais dos anos de 2010 e 2012, no valor total de R$1,7 milhão.

Segundo o Ministério Público Eleitoral, os pagamentos teriam ocorrido por meio da simulação da prestação de serviços advocatícios e também com o pagamento de valores em espécie através de doleiros contratados.

Com tantos problemas, o Solidariedade talvez não tenha tempo de resolver a questão da invasão de domicílio de Luziel em sua sede no Acre, Se depender de chamar a atenção dos dirigentes nacionais, Luziel Carvalho poderá ficar muito tempo como hóspede da sede do partido.