Pesquisadora denuncia abusos sexuais nas doutrinas ligadas ao ayahuasca

Uma antropóloga, que se apresenta como cientista, Bia Labate, depois de se envolver em uma série de polêmicas no Brasil, se mudou para Califórnia e, de lá, proferiu uma série de acusações contra os grupos e religiões que usam o ayahuasca. Ela denuncia a existência de abusos sexuais e violência de gênero em rituais xamãnicos e religiosos dessas religiões. Ela, que se vítima de condições desafiantes no Brasil, enfatiza que teve que se mudar para Os Estados Unidos em função do sucateamento da ciência e afirma que sua área de atuação está se tornando inviável no país.

Na Califórnia ela fundou o Instituto Chacruna de Plantas Psicodélicas Medicinais. Em meio a uma explosão global do interesse por essas substâncias para fins diversos, de medicinais e religiosos, ela diz que a ONG quer educar o público sobre alucinógenos e tornar mais acessível o saber acadêmico.

Mas o principal foco de sua atuação e tema de um entrevista que deu ao Portal UOL no Brasil foi a existência de abusos sexuais nos cultos com uso do ayahuasca.

Bia Labate afirma que sua ONG também se dedica à inclusão de negros, mulheres, indígenas e população LGBTQI+ no mainstream da ciência psicodélica e ao auxílio a vítimas de abuso sexual em grupos de ayahuasca. “Venho acompanhando o tema há mais de 10 anos. Infelizmente, fui testemunha de muitos casos”, lamenta. O assunto cresceu e se impôs a ela como uma necessidade institucional. Labate diz que recebeu apoio, mas também muita crítica, inclusive de seguidores das religiões ayahuasqueiras. “Muita gente ainda acha que roupa suja se lava em casa.”

Diante da denúncia, é urgente um posicionamento dos grupos religiosos ligados `{a doutrina no Acre, que foram atacados pela “antropóloga”.

Diz ela que existem muitos casos de abuso sexual nos grupos de ayahuasca e que eles acontecem porque as vítimas estão numa situação vulnerável. “Muitas procuram a ayahuasca por traumas, e algumas, ironicamente, por problemas sexuais. Esses grupos envolvem relações hierárquicas e de poder, que já são clássicas e conhecidas. Pessoas que estão na liderança muitas vezes tomam vantagem dessa situação frágil, da confiança que as pessoas colocam no facilitador, guia, líder, xamã, e se aproveitam. Como a gente sabe, não é uma coisa específica do mundo da ayahuasca. Mas o que vimos nesse meio são dirigentes se aproveitando do fascínio, da magia, do encantamento da ayahuasca. Ocorrem também falsas relações consensuais, em que mulheres são envolvidas nessa relação de aprendizado e às vezes são favorecidas, ganham posição de mais poder dentro da comunidade, passam a ser assistentes do líder, fazem viagens e cerimônias especiais sozinhas com ele. É como uma troca de serviços sexuais por favores e benefícios religiosos.”

Diante dessas declarações, é fundamental uma posição das religiões de doutrina ayahuasqueira.