Procura por garrafadas registrou um crescimento nos mercados populares durante pandemia

Cezar Negreiros

Os consumidores rio-branquenses estão recorrendo às garrafadas para auxiliar no tratamento da covid-19. As ervas mais procuradas nas bancas dos raizeiros nos mercados populares são: sangue de dragão; vinho do jatobá com romã e jucá, xarope do pequi misturado com mel, banha de arraia e banha de jacaré, chá da casca do pau de tenente, o cravo da vitória (cravo-de-defunto), a casca da quina, quina; a folha seca de boldo do Chile, a semente de gergelim e a cavalinha.

As garrafadas e os chás são usados pela população no tratamento do fígado, na melhora da imunidade, na falta de ar, no comprometimento do pulmão e contra a dengue. “Tivemos que reforçar a nossa equipe para atender as encomendas que chegam de outros lugares em busca das plantas medicinais”, revelou Dr. Raiz, proprietário da Casa das Plantas Medicinais Milagre da Floresta.

Relata que diariamente os clientes chegam de outras localidades em busca de pegar as encomendas que fizeram por telefone ou mensagem de zap. Contou que em quase quarenta anos no ramo de plantas medicinais nunca viu uma doença que matasse tantas pessoas em poucos dias. “Todo cliente que chega sempre leva um produto para auxiliar no tratamento”, observou.

Diante do temor de parar no corredor da morte, alguns pacientes com medo de contrair o coronavírus estão buscando nos remédios caseiros a solução mágica. Apesar da erva mais procurada na Casa Natu Ervas é a casca da quina, quina (Cinchona calisaya). O proprietário do estabelecimento comercial Pedro Gomes de Azevedo trabalha na praça com remédios caseiros há mais de 20 anos, mas sempre esclarece aos clientes que buscam as garrafadas, ervas e sementes que não têm nenhum medicamento que cura o coronavírus, mas eles que pode auxiliar no tratamento.

Destaca que muitos consumidores utilizam as plantas medicinais no tratamento da desintoxicação do fígado, inclusive na sua ação antisséptica e anti-inflamatória e no combate da febre. Disse que melhorou significativamente as vendas desde a chegada da pandemia. Cobra quatro reais por um saquinho de casca de quina, quina, mas quando o cliente leva três pacotinhos acaba arredondando pra 10 reais.

A lojinha do Dr. Raiz no Mercado Velho transformou no ponto predileto da população acreana que procura por garrafadas. Quem busca comprar uma garrafada do sangue do dragão desembolsa quantia de R$ 35.000, enquanto o saquinho do cravo-de-defunto apenas seis reais.

A vendedora que atendeu a equipe de reportagem do jornal A Tribuna, esclareceu que a orientação dada aos clientes procuram o estabelecimento comercial que tem nenhum remédio que cura a doença, mas que as plantas medicinais pode ajudar na melhori da imunidade dos pacientes.

Medicina tradicional

Um estudo do Departamento de Economia e Análise da Universidade Federal do Amazonas (DEA/Ufam) apontou que os amazônidas estão recorrendo aos remédios caseiros oriundos de alimentos e plantas medicinais para prevenir ou tratar a covid-19. O levantamento revelou que o limão, jambu, mel de abelhas, mastruz e andiroba estão entre os produtos naturais mais usados como remédios caseiros no combater aos problemas respiratórios.

O estudo apontou ainda que aumentou o consumo por plantas e ervas usadas no tratamento da ansiedade e a depressão por conta do prolongamento do isolamento social na região Norte. Um naturalista que trabalha no município do Jordão estava prescrevendo chás e óleo de copaíba aos pacientes com covid-19. A receita consistia numa mistura de chá de açafrão com pimenta do reino, cascas de pau roxo, copaíba e raiz de majeroba. Recomendava também o uso do chá da cebola com óleo de copaíba para ser consumido durante uma semana.