PT encolhe na presença eleitoral nas capitais

Longe do favoritismo de outras eleições, a menos de um mês das eleições municipais, o PT mostra que perdeu fôlego político. Em 16 das 21 capitais em que tem candidato, a legenda não chegou a 10% das intenções de voto nas últimas pesquisas. Só dois nomes disputam a liderança – Luizianne Lins (Fortaleza) e João Coser (Vitória). O PT ainda participa da chapa que lidera a eleição em Porto Alegre, de Manuela D’Ávila, do PC do B, com o candidato a vice. Em Rio Branco, o candidato Daniel Zen marcou cinco pontos na pesquisa do Ibope e vem encontrando dificuldades até no engajamento de nomes mais fortes e tradicionais do partido em sua campanha.

Este fim de semana, por exemplo, a única menção á cor vermelha na página social do ex-prefeito e ex-deputado Raimundo angelim foi uma camisa do Flamengo autografada que ganhou.

Dados do Ibope sugerem que o partido enfrenta uma barreira inicial naquela que havia se tornado uma das principais bases políticas da sigla: o eleitorado de baixa renda. Nesse grupo, a corrida começou marcada pelo desinteresse e pela ascensão de outras candidaturas.

Na disputa paulistana, Tatto subiu na última pesquisa, mas só marca 6% entre os eleitores mais pobres. Há forte pressão para que desista da candidatura para poiar outro candidato da esquerda, Guilherme Boulos (PSOL), que está crescendo e pode ser uma aposta para tentar chegar ao segundo turno.

Desempenho

Nessas eleições, não são raros os petistas que largaram com desempenho melhor entre os mais ricos. No Recife, Marília Arraes marca 18% no topo da pirâmide e 12% na base. O mesmo acontece em Manaus, onde Zé Ricardo aparece com 17% no primeiro grupo e 8% no segundo. Em Salvador, Major Denice tem o triplo de intenções de voto na alta renda.

A situação é diferente em Fortaleza. Luizianne Lins aparece com 30% entre eleitores com renda de até um salário mínimo. Mas na faixa seguinte, de um a dois salários, a petista cai para 17% e é superada pelo bolsonarista Capitão Wagner (Pros).

O PT insiste nas candidaturas próprias, desprezando políticas de aliança e frente ampla. A estratégia de usar o horário eleitoral para tentar tornar a eleição como uma campanha de caráter nacional de oposição ao governo Bolsonaro tem encontrado resistência no eleitorado, que está mais preocupado com questões locais. Os candidatos muito ligados a Bolsonaro também estão sofrendo revezes em capitais onde o presidente foi majoritário em 2018, como Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O PT ainda pode fazer prefeitos de cidades importantes fora da capital, como Diadema, em São Paulo e Contagem, em Belo Horizonte, além de disputar em Campinas.