Religiões rejeitam abertura prematura de igrejas e deixam evangélicos isolados no debate

O decreto de liberação dos cultos presenciais em igrejas e ao ar livre, em recintos religiosos, editado depois de pressão de autointitulados líderes de denominações religiosas evangélicas não representa o desejo ou reivindicação das lideranças de outras religiões presentes na sociedade acreana.

Várias vertentes religiosas divulgaram ontem notas de repúdio à abertura precipitada dos locais de culto, reafirmando a disposição de manter o isolamento e as normas para evitar o alastramento da COVID 19.

Com as notas, ficou patente que o movimento pela reabertura das igrejas partiu de um conglomerado de igrejas evangélicas, sem respaldo de outras religiões e sem levar em conta o ecumenismo da decisão.

A condenação à reabertura das atividades religiosas públicas foi condenada, por exemplo, pela

Câmara Temática das Culturas Ayahuasqueiras de Rio Branco, órgão do Conselho Municipal de Políticas Culturais do Município de Rio Branco, Este colegiado ligado às tradições do Ayahuaca e Daime que articula lideranças das diversas denominações religiosas ligadas aos três mestres fundadores, Raimundo Irineu Serra, Daniel Pereira de Mattos e José Gabriel da Costa.

Na nota, a posição unânime dos seguidores das doutrinas é a de que suas casas religiosas “só reabrirão e retomarão as suas cerimônias quando as autoridades sanitárias atestarem que a pandemia está sob controle ou que uma vacina esteja acessível a toda a população”. Enquanto isso, seguirão realizando as orações em casa, “por nós e por toda humanidade”.

Também a Federação de Religiões de Matriz Africana – FEREMAAC, representantes de Babalorixás, Yalorixás e dirigentes de Umbanda nas suas várias vertentes se posicionou sobre a reabertura dos Terreiros, Searas e Roças. A federação decidiu que suas casas religiosas reabrirão para a manutenção, bem como ritos internos, obedecendo às orientações da OMS – Organização Mundial da Saúde, sem cultos presenciais.

A Federação Espírita do Estado do Acre – FEEAC também decidiu que continuará mantendo suas atividades de forma virtual, priorizando assim, a segurança de seus trabalhadores, simpatizantes e frequentadores. E ainda, recomendou às suas casas afiliadas que mantenham todas as suas atividades de forma on-line, utilizando-se de todos os recursos tecnológicos possíveis ao seu alcance.

A Diocese de Rio Branco, ressaltando que os católicos somam mais de 51% da população do Acre, lembra que desde o dia 18 de março de 2020, antes mesmo do primeiro decreto do Governo do Estado, tomou a decisão de manter as igrejas fechadas. Destaca que desde então, submete-se às decisões do Governo, no que se refere às medidas para enfrentamento da pandemia, sem criar mecanismos para driblar a lei e procura seguir todas as orientações das autoridades sanitárias. Garante que em nenhum momento pressionou o Governo ou as prefeituras, para acelerar o processo de reabertura das igrejas, porque acredita que ainda não é o momento para isso. “Precisamos ser prudentes e sábios, para não nos deixarmos ser conduzidos por outros interesses, pois nosso interesse principal sempre será a defesa da vida acima de tudo” diz a nota da diocese, assegurando que se submeterá às autoridades sanitárias de definirão a hora mais segura para a reabertura das igrejas. “Enquanto isso, vamos nos reinventando para manter vivas a fé e a esperança do nosso povo, sem, contudo, colocar em risco as suas vidas”.