Rio Branco tem só 52% de domicílios com rede de água e 20% com esgoto. Perdas de água chegam a 60% do produzido

A TRIBUNA começa a publicar hoje uma série de reportagens sobre os desafios a serem enfrentados pelo novo prefeito da capital, a ser eleito em 15 de Novembro, com relação as principais necessidades e indicadores do município. A proposta do jornal e do site de A TRIBUNA será promover a reflexão e o debate sobre temas importantes para os moradores de Rio Branco, distante da luta ideológica e dos ataques gratuitos e rasteiros comuns na campanha eleitoral. A intenção é focar nos principais assuntos de interesse do município, direcionando o debate para propostas de solução a curto e médio prazo

O primeiro tema a ser enfrentado é o saneamento básico em que Rio Branco aparece mal colocada no ranking das 100 piores cidades de médio e grande porte no país

No ranking do saneamento das 100 maiores cidades de 2020, Rio Branco aparece na 84ª posição, subindo 6 posições, já que no ranking de 2019, ocupou a 93ª posição. Aparece, portanto, dentre os 20 piores municípios do Ranking juntamente com mais seis cidades da região Norte:  Belém (95ª), Manaus (96ª), Santarém (97ª), Porto Velho (98ª), Macapá (99ª) e Ananindeua (100ª). Importante ressaltar que Rio Branco ficou na frente da grande maioria das capitais da região Norte, com exceção de Boa Vista (38ª). A Cidade de Rio Branco, pelos critérios utilizados pelo no indicador Nota Total, cujo valor máximo é 10, foi reprovada e alcançou, simplesmente, a nota 3,71. Os dados e a análise,  são retirados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) e sistematizados pelo sistema Trata Brasil, do Portal do Saneamento básico, disponível no endereço https://www.saneamentobasico.com.br/saneamento-basico-rio-branco/

Ao analisar o indicador de atendimento de água (%) nota-se que a situação em Rio Branco é precária. Esse indicador mostra qual a porcentagem da população total do município é atendida com abastecimento de água. Rio Branco alcançou 52,66%. Pelo ranking, a maioria dos municípios, 89 dos 100, possuíam atendimento total maior que 80%, de maneira que a maior parte dos municípios considerados no estudo se encontra próximo da universalização deste serviço.

Esgoto

Para a coleta de esgoto, foi utilizado o indicador “índice de atendimento total de esgoto”, que mostra qual porcentagem da população total do município tem seu esgoto coletado. Quanto maior for essa porcentagem, melhor deve ser a colocação do município no Ranking, pois uma maior parte da população tem seu esgoto coletado. Rio Branco alcançou 20,49%. Há sete municípios que se encontram na faixa de 0 a 20% de coleta, mas a metade da amostra (50 municípios) se concentra entre 81 e 100% de coleta.

Em relação à água consumida, um índice mostra qual porcentagem do esgoto é tratada. Quanto maior for essa porcentagem, melhor deve ser a colocação do município no Ranking, pois mostra qual a parte do esgoto gerado pelo município é tratada. O indicador de Rio Branco foi de 33,05%. O indicador médio de tratamento de esgoto dos 100 maiores municípios é de 56,07% em oposição aos 55,61% obtidos em 2017.

A saúde financeira do DEPASA e a capacidade de gestão de seus diretores, podem ser medidas pelo índice de Perdas de Faturamento Total (IPFT), indicador que procura aferir a água produzida e não faturada. Quanto menor for essa porcentagem, mais bem classificado o município deve estar no Ranking, pois uma menor parte da água produzida é perdida ou deixa de ser faturada. O índice de Rio Branco foi de 60,30%, foi um dos maiores dentre os pesquisados. Os dados mostram que quase 70% da amostra têm perdas de faturamento superior a 30%. Portanto, há um grande potencial de redução de perdas de água em Rio Branco e, consequentemente, de aumento da disponibilidade hídrica para os usuários e de ganhos financeiros para o DEPASA.

Rio Branco perde, na última avaliação, na distribuição, 59,46% da água que trata, medido pelo índice de perdas na distribuição. O indicador é expresso em termos percentuais. Quanto menor for essa porcentagem, mais bem classificado o município deve estar no Ranking, pois uma menor parte da água produzida é perdida na distribuição. Os dados mostram ainda que mais de 75% da amostra têm perdas na distribuição superiores a 30%. Com 59,46% de perdas, a capital do Acre, possui um grande potencial de redução de perdas para uma melhor distribuição da água tratada produzida.

Sociedade desigual

Em Rio Branco, como em outras localidades do estado, o saneamento reflete a sociedade brasileira, uma das mais desiguais no mundo. O que tem ocorrido é que as políticas, em vez de enfrentar, acabam ignorando essa desigualdade.

Nenhuma das 27 capitais dos estados brasileiros passou por tantas mudanças institucionais na prestação dos serviços de saneamento como Rio Branco. O que chama a atenção na trajetória do saneamento não só em Rio Branco, ou no Acre é a descontinuidade das políticas públicas, onde cada governo altera o que fez o anterior. Outro detalhe importante é sobre o financiamento para os investimentos em saneamento, hoje quase que exclusivamente eles viraram sinônimo de emendas parlamentares, que são uma soma dos olhares particulares de cada deputado e senador.