SEDUR mostra projetos elaborados em menos de um ano mesmo com equipe restrita

O governador Gladson Cameli, em várias oportunidades, relatou seu desconforto com a dificuldade de elaborações de projetos para a captação e utilização dos recursos federais no estado. Em encontro com ministros, em Cruzeiro do Sul, chegou a falar que o estado tinha R$ 1 bilhão para obras, sem projetos.

Para checar essa informação, A TRIBUNA conversou com o  secretário Victor Bonecker, que comanda a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Regional (Sedur). A secretaria é responsável pelo gerenciamento e  elaboração de projetos em infraestrutura do governo do estado. A estrutura deveria contar com recursos humanos qualificados nas diversificadas áreas de engenharia  para atuar nos mais variados segmentos do setor público.

Eis o ponto de vista de secretário Victor Bonecker.

A TRIBUNA – O governador reclamou em Cruzeiro do Sul que teria R$ 1 bilhão à disposição para investir no estado, mas que faltam projetos. O que a SEDUR tem a dizer sobre essa declaração? Há falta de projetos na secretaria?

Secretário Victor Bonecker – Sim, a situação atual é que realmente existe um déficit de projetos executivos aptos à licitação. Os recursos estão garantidos, em sua maioria, por convênios com os diversos ministérios do governo federal. Acontece que todos esses projetos precisam passar pela chancela dos ministérios, dentro dos prazos legais para sua apresentação. E, atualmente estamos dentro de todos os prazos. Confesso que gostaria que hoje estivéssemos mais avançados com relação a isso, mas estamos fazendo todo o possível para recuperar esse tempo.

Na maioria, os projetos são de alta complexidade. Estamos falando de hospitais, rodovias, viadutos. Muitas das técnicas construtivas que estamos implementando nem vinham sendo utilizadas no estado, até então”

Quais as maiores dificuldades enfrentadas para a formulação de projetos?

 Victor Bonecker – Na maioria, são projetos de alta complexidade. Estamos falando de hospitais, rodovias, viadutos. Muitas das técnicas construtivas que estamos implementando nem vinham sendo utilizadas no estado, até então. Não nos basta fazer um projeto apenas para licitar a obra, estamos muito preocupados, desde a fase de projeto, com a qualidade da obra pública, para que tenhamos estruturas duráveis e de qualidade para a população.

O que a SEDUR já apresentou de projetos para o governo nesse ano e meio de gestão e quais os que estão sendo feitos?

Victor Bonecker – Na verdade, a SEDUR ainda não completou seu primeiro ano desde sua criação sem dezembro de 2019. De lá para cá já apresentamos projetos como as escolas padrão da atual gestão (uma delas já sendo licitada) projeto de reforma da unidade de saúde de Santa Luzia (em fase de aprovação junto aos órgãos fiscalizadores), rampa de acesso à balsa de Rodrigues Alves, pontes em estradas vicinais (ambas em aprovação na Caixa econômica), revitalização do parque industrial de Rio Branco (em licitação), novo modelo de escolas indígenas, proposta para a reforma do instituto Santa Juliana, em sena Madureira. Apresentamos o projeto da ponte de Xapuri ao governado e destacaria ainda a revisão e aprovação, junto ao DNIT, do projeto do anel viário de Brasileia, já licitado. Apresentamos soluções técnicas para solucionar problemas de obras em andamento, como é o caso da nova ala de enfermarias do pronto socorro, onde ocorreu um problema de fundação, enfim, muita coisa já foi feita, mas ainda falta mais.

Somos muito cautelosos na instrução de processo de licitação. Posso garantir que daqui até o final do ano sairão muitas outras licitações, ainda”

O senhor considera que há estrutura adequada de técnicos, treinamento e material para fazer um trabalho de qualidade para suprir o estado de suas necessidades?

 Victor Bonecker- A SEDUR foi criada em meio a uma impossibilidade do governo de realizar novas contratações, logo após veio a pandemia. Tivemos que nos mudar de prédio, enfrentamos muitos desafios esse ano que podem ter comprometido nosso desempenho, mas preciso destacar aqui a capacidade incrível que nossa equipe tem, mesmo não sendo em número ideal. Nos organizamos e entregamos projetos (já listados). Por isso, a equipe tem todo meu respeito

Quais as dificuldades em iniciar processos licitatórios? Isso impacta a ação da Secretaria?

Victor Bonecker – Uma licitação pública é algo juridicamente muito delicado. São vários entendimentos possíveis de cada ato que se toma. Por isso somos muito cautelosos na instrução desse tipo de processo. Posso garantir que daqui até o final do ano sairão muitas outras licitações ainda.

A SEDUR apresentou um novo projeto de escolas indígenas. Como foi feito, desenvolvido? É uma prova da capacidade da atual equipe?

Victor Bonecker – O projeto foi inteiramente desenvolvido pela nossa equipe de criação, coordenada pela Dra. Soad Faria. É mais uma prova da capacidade extraordinária da nossa equipe. Surgiu de uma demanda nos apresentada pela SEE para atender escolas indígenas com muitos alunos.