Setembro Azul: Rio Branco celebra avanços nas Políticas de Inclusão

Geice do Carmo Moura é natural de Boca do Acre e sofre com deficiência auditiva. Na cidade onde nasceu chegou a frequentar o ensino regular, mas, há um ano, Geice e a família decidiram mudar para Rio Branco, onde pela primeira vez pôde contar com o apoio de um professor intérprete na sala de aula.
Matriculada no módulo II da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na rede municipal de Rio Branco, ainda este ano, Geice deve concluir o Ensino Fundamental. “Antes eu não tinha o auxílio de um professor intérprete e essa foi a maior transformação pra minha vida. Hoje me comunico muito melhor e aprendo mais rápido também”, afirma.
Embora em distorção idade-série, o sentimento de inclusão é o estímulo que Geice precisava para não desistir dos seus sonhos. “Vou terminar o fundamental e fazer uma faculdade” planeja a estudante.
Na sala de aula, Geice recebe os conteúdos da professora regular que é traduzido para a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) pela professora Katiúscia Rocha. Na sala de recursos o trabalho continua com a professora Aida Correia, que orienta os estudos da Língua Portuguesa, código que a aluna precisa para a comunicação escrita.
De acordo com as professoras, Geice é uma aluna aplicada, aprende rápido, mas poderia aprender melhor se praticasse mais em casa. “Até mudar para cá, a Geice utilizava a linguagem gestual para se comunicar. Já vencemos o primeiro desafio que foi convencer os familiares a aprenderem Libras, o marido e os pais dela se inscreveram no curso de Libras oferecido pela Prefeitura. Eles começam a estudar no próximo dia 13, informou a professora Aida.
No ensino da mesma escola onde Geice estuda, a trajetória de Laíne Acreano, que também é surda, é diferente. Nascida na capital do Acre, aos 7 anos de idade, Laíne cursa 2º ano do Ensino Fundamental e acompanha bem o desenvolvimento da turma. Esperta e desinibida Laíne diz que quer fazer faculdade para ser professora de LIBRAS.
Segundo a professora titular do 2º ano, Lucileide Viana, “O fato de ter uma aluna surda não cria barreira para os demais alunos, ao contrário, eles tornam-se solidários e até aprendem mais”, explica a professora referindo-se a Carolina e Eugênia, que acompanham os professores intérpretes com atenção e fazem questão de usar a LIBRAS para se comunicar com Laíne.
Além da professora titular e dos colegas, Laíne conta com o apoio da professora intérprete Ianele Vital Melo. Formada em letras, especialista em atendimento educacional especializado atuando como intérprete há mais de 20 anos, Ianele observa que “para um surdo as dificuldades de aprendizagem são grandes, Laíne também enfrenta dificuldades mas hoje, felizmente já temos instrumentos que podem ajudar a superar essas dificuldades”.
Educação Inclusiva
A escola inclusiva fundamenta-se no princípio de que todas as pessoas devem aprender juntas, não importando as dificuldades ou diferenças que possam ter. Norteada por esse princípio, Prefeitura de Rio Branco e a Seme seguem na consolidação de políticas inclusivas no município.
Setembro é um mês especial para os surdos. No período chamado Setembro Azul é celebrado o Dia Internacional das Línguas de Sinais (10), o Dia Nacional do Surdo (26) e o Dia Internacional do Surdo (30).
Neste setembro de 2015 Rio Branco tem muito a comemorar. De acordo com o Vice-Prefeito e Secretário Municipal de Educação, Márcio Batista, “entre os avanços, podemos destacar a criação do Centro de Formação de Profissionais da Educação e Atendimento de Pessoas com Surdez de Rio Branco (CAS – Rio Branco), a realização de concurso público para professores de LIBRAS, mediadores e intérpretes educacionais, em 2012, a inserção dos professores surdos no ensino fundamental e a criação das escolas bilíngues, previstas no Plano decenal para a Educação de Rio Branco. Nas escolas bilíngues, os surdos terão a oportunidade de serem alfabetizados em LIBRAS, tendo o português como segunda língua. Garantir escola e direitos iguais a todos está entre as prioridades desta gestão, para tanto contamos com a apoio do prefeito Marcus Alexandre, sempre sensível e pronto a investir em uma educação de qualidade”, destaca Márcio Batista.
Hoje a rede municipal de Educação atende 16 alunos surdos. Há um professor intérprete para cada aluno surdo.
NO CAS Rio Branco há 8 professores de Libras surdos, todos atuando em oficinas no projeto Escola Acessível Caminhos para o Bilinguismo nas escolas.