Subtenente Candeias acusa Rocha de “forasteiro” e de usar o PSL em desrespeito a seus filiados

Maria das Candeias dos Santos Lima, a subtenente candeias. casada, três filhos, portadora de uma doença auto imune que não a impediu de exercer a carreira de Policial Militar, onde acumulou situações polêmicas, mas sempre se destacando pela defesa intransigente da corporação e do direito dos praças e suboficiais.

Filha de pai alcoólatra, como ela mesmo conta, mas que cuidava como podia da família e demãe dedicada ao lar e lavadeira, que criou com extremas dificuldades os 12 filhos que sobreviveram ao parto, dos 17 que teve, Candeias enfrentou dificuldades, mas teve orientação moral severa em casa. Aos oito anos, foi morar com uma família, no sistema da época, em que a criação era associada ao trabalho infantil, mas se mostra muito grata pelo acolhimento.

Aos 14 anos, foi agregada como empregada na casa de um ex-deputado, pai de uma menina que se tornou juíza, hoje.

Aos 17 anos, Candeias já decidira que seu destino era Polícia Militar, sendo aprovada em concurso e traçando uma trajetória rica em enfrentamentos de toda ordem. Diz com orgulho que nunca foi punida por mau comportamento ou atos errados, mas sempre por sua posição e opiniões fortes.

Hoje na reserva, se identifica como uma pessoa de direita, posição que diz representar dentro do PSL. Em uma entrevista corajosa como sua vida, revela seu embate com o vice-governador Rocha e suas polêmicas posições, que culminaram no confronto na convenção do PSL.

Subtenente Candeias: “Estão usando nosso partido como trampolim financeiro”

A Tribuna – O que credencia a senhora reivindicar esse apoio para representar a categoria neste momento? O PSL busca se afirmar como um partido que representa os militares?

Subtenente Candeias – O que me credencia é a certeza das minhas convicções, desde quando eu fiquei dois anos sub judice na greve de 13 e 14 de maio por lutar contra a intransigência do governo em querer afunilar os nossos direitos. O que me credencia o fato de ter me manifestado fardada e algemada no Teatrão em um congresso da região Norte em repúdio ao Ministério Público. que estava prendendo os policiais que estavam envolvidos no esquadrão da morte, mas estavam imputando acusações aleatórias a pessoas que não tinham nada a ver, como na época o soldado Seviano. Então em repúdio ao Ministério Público, já que o comando não teve essa coragem, eu fui lá e me algemei fardada e falei o porquê.

Outra situação muito importante foi na época em que o coronel Jair Tomaz abriu um convênio que descontava o dinheiro das casas do Vilage Tiradentes dos policiais militares. Eu pedi o meu ressarcimento. O Major Rocha nessa época era o chefe do Estado Maior e me prendeu quando entrei na Justiça.  Eu estava com oito meses de gravidez. Eu fui pra cela com o bucho no pé da goela. Fiquei no antigo BOPE, ali onde fica o INTO hoje. Resultado é que fui ressarcida e o Sezu, que era tipo um desconto financeiro para emprestar dinheiro para os policiais veio à falência, porque tiveram que me ressarcir e o meu advogado conseguiu quebrar minha prisão irregular.

Os policiais que me conhecem dentro da caserna sabem da minha luta. Ultimamente, agora havia meses que as promoções estavam emperradas. Nós fomos para a reunião com o secretário de Segurança, que foi um grande parceiro. O comandante-geral foi um grande parceiro. A gente teve os amigos na Casa Civil que conseguiram desenrolar e muitos policiais foram promovidos.

O comandante-geral que aí está é um cara assim espetacular. A gente vê a diferença como os outros coronéis do passado, que pensavam mais no ego do que em ajudar a tropa.

Então, eu tenho uma história. Eu tenho um legado. Essa situação da previdência foi outra luta vitoriosa travada. Com um mandato na mão, posso fazer muito mais. Se eu já cobro sem cargo, pode ter certeza de que, no parlamento mirim, minha atuação é questão de honra.

O Ulysses foi extremamente covarde nesse acordo final com o Rocha, deu um passo atrás, ele esqueceu que aquela decisão não era uma briga contra ele e o Rocha. Ali, nós fomos os soldados que estávamos atrás dele”.

Os problemas entre o PSL e o PSDB, co o avalia? Esse começo de casamento já começou errado?

Subtenente Candeias – Nessa decisão da convenção, o Ulysses foi extremamente covarde, deu um passo atrás, ele esqueceu que aquela decisão não era uma briga contra ele e o Rocha. Ali, nós fomos os soldados que estávamos atrás dele. Nós o colocamos no ponto certo porque ele já tinha sido escolhido duas vezes e. quando ele se acovardou e deu um passo atrás, muitos dos meus amigos que são pré-candidatos choraram e disseram que nunca vão dar espaço para a direita de fato.

A gente só queria mostrar que nós queríamos respeito. Então, eu acredito que o PSL está indo para as ruas sangrando.

É possível essa reconciliação nesse processo eleitoral que nós temos aí nesses próximos dois meses?

 Subtenente Candeias – Da minha parte, não! De alguns que têm a política como um toma-lá-dá-cá, que acha que a política, a democracia é se prostituir. talvez sim. Mas da minha parte eu vou caminhar sozinha. Vou ser ética, porque eu tenho que ser, mas se você quiser saber minha posição, da minha parte eu respondo que não há conciliação.

Hoje, o PSL é a galinha dos ovos de ouro para a sobrevivência do PSDB, em tempo de televisão, de Fundo Partidário. Eles poderiam ter escolhido até a faxineira, se fosse filiada, para ser a vice do Minoru Kinpara, por causa da verba”

Se vocês queriam que Ulysses concorresse lá na convenção, quem seria o cabeça de chapa?

Subtenente Candeias – O coronel Ulysses foi escolhido duas vezes. Foi assinada ata e tudo e o Rocha era ciente disso. Ele era candidato majoritário e o Rocha era ciente disso. Mas ele teve problemas com o Rocha, que o considerou inimigo pessoal. Aí o que que aconteceu? O nome do Ulysses já tinha sido aprovado, mas o Rocha chegou lá e simplesmente mostrou essa falta de respeito com a gente. Nós não queríamos problema. Não se sentaram com a gente para explicar: olha, a gente vai ficar com o Celestino, porque a verba quando tem um vice, um majoritário, essa verba é maior. Que eles convencessem a gente e não chegassem dizendo que tem o apoio de Brasília e tal, que eu mando

Hoje, o PSL é a galinha dos ovos de ouro para a sobrevivência do PSDB, em tempo de televisão, de Fundo Partidário. Eles poderiam ter escolhido até a faxineira, se fosse filiada, para ser a vice do Minoru Kinpara, porque a verba cresce muito mais porque o PSL integraria a chapa majoritária. Estão usando o nosso partido como trampolim financeiro e com oportunismo barato. É isso que nós não aceitamos.

Tudo isso, então teria sido feito para  viabilizar a candidatura do Minoru?

Sub tenente Candeias – Sem sombra de dúvidas para viabilizar e a aposta financeira. E também tem mais tempo de televisão. Por que em 2018, ele não disse: venham se coligar comigo ou então está aqui um dinheiro para a campanha de vocês? Aproveitou tudo isso para humilhar a gente e dizer que nós não tiramos nem a metade dos votos da irmã dele. Isso é um absurdo, uma falta de respeito. Eu não tolero esse tipo de falta de respeito dentro do PSL. E vou ser opositora, sim, e caminhar sozinha.

Eu não tenho nada contra o vice-governador. Eu tenho contra a postura dele. Ele tomou de assalto o meu partido. Nós somos a direita de fato. Ele não é uma pessoa grata no PSL. Eu, como filiada do PSL exijo respeito. Para mim, ele é e sempre será um forasteiro”

A senhora é candidata a vereadora. Pretende construir a sua candidatura com essa autonomia? E quais as propostas que devem pontuar a sua candidatura e o que lhe credencia a ter os votos da tropa?

Subtenente Candeias – Primeiro eu pretendo conquistar o voto da tropa e conscientizar os policiais militares, por mais que eles estejam desacreditados nos políticos militares que aí estão. Eles têm que reconhecer que o único passaporte que nós temos para mostrar força é na política. Não adianta eles darem as costas e votar no civil, porque não vai funcionar. E quem me conhece sabe que eu sou de cutucar. Eu sempre fui presa por causa do coletivo. Eu não tenho nenhuma punição por bebedeira, por comportamento duvidoso. Todas as minhas punições foram em defesa da tropa e quem conhece a minha história sabe disso.

O meu perfil é de cobrança. Eu só queria que a tropa me desse essa chance e reconhecesse que temos que mudar esse sistema corrupto que aí está. Alguém tem que quebrar isso. E não estou falando isso por oportunismo. Eu estou falando isso porque eu tenho uma história. Eu tenho um legado e o meu caráter toda a tropa já conhece que é de cobrança.

Eu não tenho nada contra o vice-governador. Eu tenho contra a postura dele. Ele tomou de assalto o meu partido. Nós somos a direita de fato. Ele não é uma pessoa grata no PSL. Eu, como filiada do PSL exijo respeito, o que ele não teve com os candidatos. Para mim, ele vai ser e sempre será um forasteiro. Aquele Rocha que eu ajudei lá atrás para deputado estadual, que andou comigo comendo quibe nas estradas, indo atrás de votos para ele, não existe mais. Naquele época acreditei no projeto dele, pagando até punições. Então, é inadmissível a falta de respeito que ele teve conosco, principalmente com os pré-candidatos. O PSL não é uma prostituta. Eu não tenho nada contra ele. Mas ele passou a ser um forasteiro, meu inimigo quando tenta colocar de goela abaixo uma situação que sequer nos comunicou. Ditadura no PSL, nós não aceitamos. Até hoje ele não cumpriu nem o que prometeu para a tropa, que foi a titulação, o realinhamento. Disse que o governador, na época da campanha tinha dado a ale um cheque em branco para ele decidir sobre isso. o que não se realizou.