Tentativa de motim no Fracisco D’Oliveira Conde termina com 56 feridos

Cezar Negreiros

Cerca de 56 detentos que cumprem pena em regime fechado no presídio Francisco D’Oliveira Conde (FOC), foram medicados na madrugada de ontem no Pronto-Socorro do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Baixada da Sobral. Sete deles continuam em observação numa enfermaria do PS, em decorrência das lesões que tiveram após participar de um motim nos pavilhões G, H, I, J, K e L, do complexo penitenciário.

O complexo penitenciário Dr. Fracisco D’Oliveira Conde já registrou dois casos de detentos infectados por covid-19 e 12 policiais penais com a doença. A população carcerária no estado, segundo o último balanço do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) chega a quase 7 mil detentos. Os detentos começaram batendo nas grades das celas do “Chapão”, para protestar contra a falta de água no presídio que já duravam 48 horas.

Em seguida, os rebelados ocuparam os corredores da unidade prisional, enquanto outros presos ateavam fogo nos colchões nas celas, mas os amotinados foram contidos pelos policiais penais que estavam de plantão. Os agentes penitenciários efetuaram diversos disparos de bala de borracha na direção dos detentos para evitar uma fuga em massa, com a chegada da Polícia Militar (PM) puderam controlar a rebelião que durou pouco mais de quatro horas.

Detentos feridos foram levados para o Pronto Socorro de Rio Branco

Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) esteve no local para atender os feridos, porém, foi necessário oito ambulâncias para transportar os presos que tiveram ferimentos mais grave. O médico do Samu Guilherme Piassa, prestou os primeiros atendimentos e recomendou que 15 detentos fossem encaminhados ao Pronto- -Socorro do Huerb, enquanto 14 feridos com menos gravidade encaminhado para a UP) na Baixada da Sobral e 27 deles com lesões mais simples medicados na unidade prisional e recambiados para outros pavilhões do FOC. “Passava das 2 horas da madrugada, quando os policiais penais com apoio da Polícia Militar (PM) acabaram com o motim”, declarou o presidente do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen/AC), Arlenilson Cunha.

O gestor informou ainda que princípio de motim começou por volta das 18:30 da última quarta-feira (dia 22), com a reclamação de falta d’água.

Os agentes penitenciários informaram que o Iapen estava providenciando o abastecimento com um caminhões-pipa. “No dia anterior, 225 mil litros de água foram fornecidos ao Complexo Penitenciário pela empresa contratada. Já durante a quarta-feira, 104 mil litros foram disponibilizados, sendo 90 mil pelo fornecedor e 14 mil pelo Depasa”, revelou.

Descontentes com os esclarecimentos prestados, os detentos continuaram a manifestação, chegando a atear fogo em colchões, baldes e roupas, quebrando cadeados das celas, na tentativa de sair dos pavilhões em fuga em massa. Apesar dos rebelados terem conseguido chegar aos corredores internos dos pavilhões e passaram arremessar pedras, quando o Grupo Penitenciário de Operações Especiais (Gpoe), adentrou a unidade por volta das 20h30 com o objetivo de controlar o princípio de motim no presídio. “Estamos tomando todas medidas para resguardar a segurança dentro do complexo penitenciário”, destacou o presidente do Iapen.