Tubaína: bebida citada por Bolsonaro é feita de guaraná com tutti-frutti

“Quem for de direita, bebe cloroquina. Quem for de esquerda, tubaína’. Foi esta a frase dita pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante uma live na noite de ontem (19) ao ironizar o uso do medicamento no tratamento da covid-19. No dia de ontem, o Brasil teve recorde de mortes pela doença, com 1.179 óbitos registrados em 24 horas. Ao mencionar a tubaína como uma “bebida da esquerda”, Bolsonaro se referia a um refrigerante de baixo custo e popular produzido no Estado de São Paulo e que tem mais de um século de tradição no mercado.

A tubaína se refere não a uma marca em si, mas a um tipo de refrigerante que é feito basicamente de guaraná com extrato de tutti-frutti. Só no Brasil, existem pelo menos 25 marcas de tubaína em produção no atual momento, segundo a Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras).

Há controvérsias quanto à origem da tubaína. A primeira versão da história diz que a fórmula foi criada em Piracicaba no final do século XIX por José Miguel de Andrade, um fabricante de bebidas. O nome foi dado por seu filho que, ao experimentar a bebida, referiu-se a ela como “cotuba”, termo usado na época para “legal”. A bebida foi então batizada de “cotubaína”, um nome que depois foi alterado por outros fabricantes que usaram a mesma fórmula com pequenas modificações.

Há ainda uma outra versão que diz que a tubaína foi criada sob o nome de Etubaína Orlando, em referência à fábrica do italiano Vicente Orlando, no ano de 1913, também em Piracicaba. No entanto, uma outra empresa de Jundiaí, a fábrica de refrigerantes Ferráspari, foi que acabou registrando a marca como ela é conhecida hoje, sendo sinônimo de “refresco” sob o nome Tubaína.

Tubaína não é uma marca de refrigerante, mas a uma modalidade popular da bebida. Tradicionalmente produzida em São Paulo, fórmula existe há quase um século.

Venda

Tradicionalmente, a Tubaína é vendida em garrafas de 600 ml retornáveis iguais aos litros de cerveja. De baixo custo, o refrigerante se tornou sinônimo de produto popular junto com o tradicional pão com mortadela, que era o embutido mais em conta existente quando a bebida foi criada. Uma garrafa de 600 ml de tubaína rendia quatro copos e custava menos que um refrigerante de 300 ml de marcas mais conhecidas.

Hoje no Brasil existem pelo menos 25 marcas que comercializam a tubaína, a maioria delas situadas na região Sudeste do país. Na cidade de São Paulo, existem estabelecimentos especializados na venda do refrigerante com drinques adaptados pelos “tubaliers” (um sommelier de tubaína).